Cavalos furtados são apreendidos em frigorífico
PUBLICAÇÃO
sábado, 17 de fevereiro de 2001
Jackeline Seglin De Londrina 
Dez cavalos furtados foram apreendidos anteontem, no final da tarde, no pátio do frigorífico King Meat do Brasil, em Apucarana. O flagrante foi registrado por volta das 17h30 por uma equipe de policiais chefiada pelo delegado Valdir Abrahão, do 3º Distrito Policial de Londrina.
Depois que o delegado recebeu uma denúncia sobre furto de cavalos na zona oeste de Londrina, a polícia seguiu o caminhão e chegou ao estacionamento do frigorífico. No local, o delegado apreendeu o carregamento de cavalos, o menor E.N.D, 17 anos, que seria o autor dos furtos, e o receptador Nelson Alves da Silva, 26 anos. O motorista do caminhão, Heraldo Martins Lopes, foi indiciado e liberado.
Como a entrega ainda não havia sido consumada, não pude lavrar o flagrante de receptação do frigorífico. Se esperasse, corria o risco de não achar os animais nem os receptadores, justificou Abrahão. O delegado informou, entretanto, que uma nota fiscal do King Meat foi encontrada com Silva, junto com uma Guia de Transporte de Animal (GTA) da Secretaria da Agricultura e Abastecimento do Paraná, em Apucarana. A nota, previamente preenchida com o nome do receptador, não trazia data nem descrição de mercadoria. A guia autoriza o transporte de apenas seis animais para abate e, no caso, foram 10. Vamos procurar saber se ela pode ser emitida caso a nota fiscal esteja em branco, explicou.
O motorista Heraldo Lopes disse já ter transportado outros 35 cavalos de Nelson Silva para o frigorífico. O adolescente, que tem várias passagens pela polícia, foi encaminhado ao Serviço de Atendimento ao Adolescente Infrator (Siaadi) de Londrina. Ele confessou os furtos e delatou outros dois homens, conhecidos apenas como Claudemir e Rogerinho, como co-autores. E disse que já vendeu outros animais furtados para Silva, que nega a receptação.
O delegado comentou que um dos proprietários do frigorífico confirmou a compra de cavalos, alegando não saber a sua procedência. O delegado vai expedir uma carta precatória ao frigorífico para que os proprietários prestem esclarecimentos.
Um dos donos do frigorífico, Humberto Sacchelli, procurou a Folha afirmando que sua empresa foi invadida pela polícia e uma equipe de TV. Tomamos precauções para não sermos receptadores. Mas esse pessoal larga o cavalo no meio da rua e não quer que roubem o animal, afirmou.
Sacchelli justificou que os caminhões entram no pátio para pesagem e só então é feita a identificação dos animais. Se não tiver nota, não descarrega, afirmou. Quanto à nota encontrada com Silva, ele alegou que o receptador pode tê-la conseguido anteriormente. A carne de cavalo é exportada para o Japão e Comunidade Européia.


