Dez cavalos furtados foram apreendidos anteontem, no final da tarde, no pátio do frigorífico King Meat do Brasil, em Apucarana. O flagrante foi registrado por volta das 17h30 por uma equipe de policiais chefiada pelo delegado Valdir Abrahão, do 3º Distrito Policial de Londrina.
Depois que o delegado recebeu uma denúncia sobre furto de cavalos na zona oeste de Londrina, a polícia seguiu o caminhão e chegou ao estacionamento do frigorífico. No local, o delegado apreendeu o carregamento de cavalos, o menor E.N.D, 17 anos, que seria o autor dos furtos, e o receptador Nelson Alves da Silva, 26 anos. O motorista do caminhão, Heraldo Martins Lopes, foi indiciado e liberado.
‘‘Como a entrega ainda não havia sido consumada, não pude lavrar o flagrante de receptação do frigorífico. Se esperasse, corria o risco de não achar os animais nem os receptadores’’, justificou Abrahão. O delegado informou, entretanto, que uma nota fiscal do King Meat foi encontrada com Silva, junto com uma Guia de Transporte de Animal (GTA) da Secretaria da Agricultura e Abastecimento do Paraná, em Apucarana. A nota, previamente preenchida com o nome do receptador, não trazia data nem descrição de mercadoria. ‘‘A guia autoriza o transporte de apenas seis animais para abate e, no caso, foram 10. Vamos procurar saber se ela pode ser emitida caso a nota fiscal esteja em branco’’, explicou.
O motorista Heraldo Lopes disse já ter transportado outros 35 cavalos de Nelson Silva para o frigorífico. O adolescente, que tem várias passagens pela polícia, foi encaminhado ao Serviço de Atendimento ao Adolescente Infrator (Siaadi) de Londrina. Ele confessou os furtos e delatou outros dois homens, conhecidos apenas como Claudemir e Rogerinho, como co-autores. E disse que já vendeu outros animais furtados para Silva, que nega a receptação.
O delegado comentou que um dos proprietários do frigorífico confirmou a compra de cavalos, alegando não saber a sua procedência. O delegado vai expedir uma carta precatória ao frigorífico para que os proprietários prestem esclarecimentos.
Um dos donos do frigorífico, Humberto Sacchelli, procurou a Folha afirmando que sua empresa foi invadida pela polícia e uma equipe de TV. ‘‘Tomamos precauções para não sermos receptadores. Mas esse pessoal larga o cavalo no meio da rua e não quer que roubem o animal’’, afirmou.
Sacchelli justificou que os caminhões entram no pátio para pesagem e só então é feita a identificação dos animais. ‘‘Se não tiver nota, não descarrega’’, afirmou. Quanto à nota encontrada com Silva, ele alegou que o receptador pode tê-la conseguido anteriormente. A carne de cavalo é exportada para o Japão e Comunidade Européia.

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