O Centro Universitário Integrado e a Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) de Campo Mourão (Centro-Oeste) firmaram uma parceria. Professores e estudantes do curso de Medicina Veterinária do Integrado prestarão suporte técnico e assistência médica aos animais mantidos pela Apae e utilizados na equoterapia, desde exames de rotina até procedimentos especializados, sem qualquer cobrança. A entidade assistencial, por sua vez, ficará responsável pela compra de medicamentos e outros insumos.

“Além de demonstrar a responsabilidade social da instituição, é uma oportunidade valiosa para os acadêmicos adquirirem experiência prática em cuidados equinos,” afirma Denis Steiner, responsável pela clínica médica de grandes animais do Integrado.

“E para nós da Apae é uma parceria valiosa. Dependemos de vários recursos para manter os serviços ativos. Em se tratando de uma terapia tão cara em termos de manutenção, a economia com os gastos veterinários promoverá uma grande diferença nas despesas mensais”, explica o fisioterapeuta da Apae de Campo Mourão, Willian Cezar Pereira.

LEIA TAMBÉM:

= Convívio com pets contribui para melhorar a saúde mental

= Lobo-guará é resgatado em Campo Mourão, passa por exames e é solto

CONSULTA MENSAL

A entidade tem três cavalos recebidos por meio de doações. Dois deles são utilizados na equoterapia, oferecida pela entidade desde 2003. Os animais passarão por uma consulta mensal com a realização de exames, vacinação, casqueamento, desvermifugação, cuidados com a saúde bucal e outros procedimentos; inclusive cirúrgicos, como castração.

“O atendimento aos animais será feito mensalmente, durante a tarde, mas se houver necessidade de intervenções adicionais, a equipe estará pronta para responder”, informa Camila Mottin, professora e coordenadora do curso de Medicina Veterinária, que irá supervisionar o trabalho..

MÉTODO TERAPÊUTICO

A equoterapia é um método terapêutico que utiliza o cavalo por meio de uma abordagem interdisciplinar nas áreas de saúde, educação e equitação, buscando o desenvolvimento biopsicossocial de pessoas com deficiência ou necessidades especiais.

Segundo a Associação Nacional de Equoterapia, é uma forma de reabilitação baseada na neurofisiologia, tendo como base os padrões de movimentos rítmicos e repetitivos da marcha do cavalo. Ao caminhar, o centro de gravidade do cavalo é deslocado tridimensionalmente, um movimento similar ao da marcha humana, com movimentos alternados dos membros superiores e da pelve.

A atividade contribui para o desenvolvimento da força muscular, relaxamento, conscientização do próprio corpo, aperfeiçoamento da coordenação motora e do equilíbrio do praticante. A interação com o cavalo - incluindo os primeiros contatos - os cuidados preliminares, o ato de montar e o manuseio final desenvolvem ainda novas formas de socialização, autoconfiança e autoestima.

“Essa atividade ocasiona uma série de estímulos - que percorrem a medula do praticante e chegam até o sistema nervoso central – e contribuem para a criação de novas sinapses. O processo de neuroplasticidade favorece ganhos motores (equilíbrio, força, melhora do tônus muscular) e cognitivos (aprendizado e interação social)”, complementa Pereira.

A Apae de Campo Mourão, criada em 1974, também estuda a possibilidade de ofertar a equoterapia de modo particular àqueles que não são alunos da entidade, mas possuem algum tipo de necessidade especial como síndromes variadas, transtorno do espectro autista, doenças neurológicas, amputados, depressão e outras síndromes.

(Com informações do Centro Universitário Integrado)