Dorico da SilvaDecomposiçãoCavalo morto no jardim Pacaembu: mau cheiro incomoda moradoresCavalos continuam causando transtorno em bairros da zona norte de Londrina. O mau cheiro de um animal em decomposição está incomodando os moradores da rua Inocência Antunes Neves, no jardim Pacaembu. O animal morreu no sábado, ao meio-dia, em um terreno vazio da rua. No final da tarde de ontem, depois que a Folha telefonou para a Autarquia do Meio Ambiente, a AMA enviou um contêiner ao jardim Pacaembu, mas não conseguiu retirar o cavalo. O serviço deve ser feito hoje.
Por não suportar o mau cheiro, a família de Sérgio Marques Vieira, que mora ao lado do terreno, dormiu a noite passada em casas da vizinhança, mais distantes da área. Os moradores buscam uma solução desde quinta-feira, quando o cavalo começou a agonizar.
O aposentado João Bilmaia conta que telefonou para a AMA, Hospital Veterinário, Corpo de Bombeiros, Polícia Militar, SOS Vida Animal e até para o prefeito. ‘‘Não consegui falar com o prefeito, mas a secretária dele disse para eu telefonar para a AMA’’,conta o aposentado. Os moradores tentaram reanimar o animal e buscar atendimento veterinário.
Milton DóriaLivres e soltosCláudia Carrasco, do Farid Libos: quintal invadido pelos animais
João Bilmaia chegou a telefonar para o Parque Ney Braga, onde se realiza a Exposição Agropecuária e Industrial, atrás de um veterinário. ‘‘Não consegui nada’’, conta ele. Na AMA, a resposta foi que o único caminhão disponível para aquele tipo de tarefa estava no conserto. ‘‘Como pode uma autarquia divulgar um serviço que não funciona?’’
Para que o cavalo fosse atendido no Hospital Veterinário, ele teria que ser levado até lá. ‘‘Tentamos com uma caminhonete, mas não foi possível levantar o cavalo’’, afirma Bilmaia. Os moradores ficaram revoltados. ‘‘Se a gente atropela um animal desses, o dono vem atrás. O maior irresponsável nessa história é o proprietário, que vê que o animal sumiu, mas não vai atrás’’, diz Bilmaia.
No conjunto Farib Libos, os moradores reclamam que a AMA não recolhe os cavalos soltos. Os animais causam riscos de acidente. A dona de casa Cláudia Pulcina Carrasco, que mora na rua Ricardo Skowroneck, afirma que os animais pastam em terreno destinado a ser uma praça e num matagal.
O quintal da casa de Cláudia, que não tem portão, também é invadido pelos animais. Um deles quase afundou a fossa. Segundo Cláudia, a filha dela de seis anos não pode brincar tranquila. ‘‘Tenho medo que as crianças levem coices. Já reclamei para a AMA, mas eles disseram que não estão mais recolhendo animais.’’
A AMA divulgou em março que estava retomando o serviço de notificação das pessoas que deixam animais soltos pelas ruas. Depois da notificação, se houver reincidência, a AMA recolhe o animal e multa o proprietário. A autarquia colocou o telefone 156 à disposição da comunidade para receber denúncias, inclusive nos finais de semana.
O diretor de serviços públicos da AMA, Júlio Bittencourt, disse ontem que estava surpreso e lamentava o ocorrido nos dois bairros. Ele garantiu que a autarquia tomaria providências ontem mesmo. ‘‘Se quem atendeu o telefone no final de semana afirmou que não estamos recolhendo animais, há um despreparo que precisa ser corrigido.’’
Segundo Bittencourt, o guarda de final de semana tem o número dos telefones celulares de dois chefes de departamento, que poderiam ter sido acionados para resolver os casos. ‘‘Lamento a negligência dos proprietários de animais. Para muita gente, quando o cavalo está bem, trabalhando, ele serve; quando adoece, é abandonado’’, diz Bittencourt. A AMA pretende notificar os donos dos cavalos que estão soltos no Farid Libos.

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