A inusitada morte de um cavalo em Londrina revelou um perigo e transformou-se numa novela ainda sem conclusão, até o fechamento desta edição. O animal, pertencente a um carroceiro, caiu num buraco de cerca de um metro de diâmetro e pelo menos três de profundidade no Jardim Mediterrâneo (Zona Sul), na tarde da última quinta-feira. O corpo do pobre ''Lazão'', como era chamado o equino, continuava lá até ontem.
Escondido pelo mato que cresceu ao seu redor, o buraco aparentemente comum é, na verdade, uma galeria de água pluvial sem tampa. A constatação foi feita pelo assessor de recursos hídricos da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Sema), João Batista, que só ontem tomou conhecimento do fato, após ser avisado pela reportagem. Ele foi ao local no final da manhã e ficou surpreso. ''É a primeira vez, em anos, pelo que me lembro, que vejo um animal desse porte cair numa galeria pluvial. É quase inacreditável'', observou. A galeria está na área do fundo de vale do Córrego dos Tucanos, mas muito próxima da rua que desemboca nos fundos da associação da Polícia Militar (PM).
Desorientado e sem solução para o problema, o carroceiro Luis Carlos Santos Silva, 33 anos, chamou a imprensa. ''Liguei para os bombeiros, mas eles disseram que estavam com todas as viaturas ocupadas; tentei chamar um trator, um guincho, e não consegui nada. Eu só quero que alguém tire o Lazão daqui e me pague o cavalo, porque eu dependo dele para trabalhar'', apelou. Silva contou que comprou o animal, que tinha pouco mais de três anos de vida, há cerca de 20 dias. ''Custou R$ 500,00 em cinco prestações, mas eu ainda não tinha pago nenhuma. Ele puxava a carroça que uso para catar papel e sucata'', acrescentou.
O carroceiro afirmou que costumava levar o cavalo para pastar no local e que o mantinha amarrado, mas que no dia do acidente o filho dele soltou o animal. ''Ele foi andando e pastando devagarinho até chegar no buraco, sem ver, onde caiu com as patas traseiras'', relatou.
O Corpo de Bombeiros de Londrina informou que não foi acionado no dia da queda e que só poderia prestar auxílio caso o animal estivesse vivo. Segundo o tenente Antônio de Souza, a responsabilidade pelo recolhimento de animais mortos seria da empresa Fossil, a mesma que recolhe o lixo urbano. O subgerente da Fossil, Carlos Roberto Rosa, por sua vez, informou que a empresa só apanha animais mortos em clínicas veterinárias. A exceção é feita aos animais de pequeno porte que morrem na rua, mas que só podem ser recolhidos nos dias determinados para coleta de lixo em cada local. No caso de ''Lazão'', Rosa empurrou a responsabilidade para a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU).
O assessor da Sema declarou que, ontem mesmo, iria acionar a CMTU para recolher o cavalo e a Secretaria Municipal de Obras para tampar a galeria. Ele explicou que a abertura do fosso é maior do que o normal para dar conta do volume de água que escoa para o local. Como a galeria é impermeabilizada, não seria possível aterrar o buraco com o corpo do cavalo dentro.
Batista admitiu que o buraco representava risco até para pessoas. ''Esse incidente expõe um outro problema, que são os perigos da drenagem urbana. Perto da galeria onde o cavalo caiu, havia outras destampadas. Não sabemos se isso se deve a vandalismo, furtos, mas é responsabilidade da prefeitura dar um jeito'', afirmou.
Ele destacou ainda que o proprietário do animal também cometeu um erro. ''Por mais que seja um final de rua, local de baixíssimo movimento, temos que lembrar que não é permitido manter cavalos na área urbana. Mas o proprietário está no direito dele se pedir indenização'', concluiu.

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