Desde a última sexta-feira, os moradores do Parque Bom Retiro (Região Central de Londrina) têm que conviver com o mau cheiro exalado por um cavalo morto, que está às margens do córrego. ‘‘Nós temos certeza que ele foi picado por uma cobra, pois o que mais tem aqui é bicho vindo desse mato’’, reclama Ortalina Maria de Jesus, moradora há 30 anos do bairro.
  Como o mau cheiro começou a causar mal estar nos moradores, eles desconfiaram que não se tratava de um animal de pequeno porte e logo encontraram o cavalo – que costumava pastar por ali – já em estado de decomposição. ‘‘Estamos tentando falar com a CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização) desde sábado, mas por causa do recesso de Carnaval, não encontramos ninguém’’, afirma Ortalina, que, junto com outros moradores, cobriu o animal com uma lona. ‘‘Mesmo assim, o cheiro continua insuportável’’, conta outra moradora, Elenir de Freitas.
  De acordo com Fábio Reali, diretor de Operações da CMTU, a retirada do animal deverá ser feita no máximo até hoje. ‘‘Esses animais não são de responsabilidade da CMTU, porém o descaso de muitos proprietários, que acabam abandonando os animais em vias públicas, faz com que o serviço passe a ser de nossa responsabilidade’’, diz Reali.
  Moradores reclamam ainda que tanto o mau cheiro quanto o surgimento de animais peçonhentos não são novidade. ‘‘Ontem mesmo eu matei um rato preto. A gente nunca sabe o que vai aparecer dentro de casa. Se eu quisesse conviver com esses bichos, ia morar no meio do mato’’, desabafa Ortalina.
  Além de ratos e aranhas, outros visitantes muito comuns são os filhotes de cobra jararaca. Segundo a moradora, na semana passada, ela matou um em frente à sua casa. ‘‘É um abandono total com esta região. Com todo esse mato, fica impossível morar aqui, principalmente para as crianças, que vivem brincando no local’’, diz.
  Há cerca de dois meses, a CMTU realizou um serviço de capina, mas mesmo assim, os moradores continuam descontentes. Reali entende a preocupação dos moradores, mas explica que a CMTU é autorizada a realizar o serviço somente no entorno do local. ‘‘Para realizar um serviço de capina e limpeza na parte interna do córrego, é preciso de uma autorização dos órgãos ambientais. Assim que o animal for retirado, vamos aproveitar para fazer um levantamento da área e se for caso, encaminhar um pedido para os devidos órgãos’’, diz.
  De acordo com Roberta Garbelini Gomes, residente do Hospital Veterinário da Universidade Estadual de Londrina (UEL), é comum cavalos serem picados por cobras. ‘‘Dependendo da quantidade de veneno inoculada na mordida, pode matar o animal na hora, mas só uma necrópsia pode confirmar a causa da morte.’’

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