Mouros x Cristãos. A longa disputa territorial de europeus e árabes ocorrida na Península Ibérica nos séculos 12 a 15 deixou um legado cultural –as Cavalhadas– que Guarapuava está transformando em turismo folclórico. Marcada para o próximo final de semana, a festa pode estar vivendo sua última edição como festa desmontável.
No ano que vem, o espetáculo que mistura homens, cavalos, elementos dramáticos e manifestações lúdicas deve ganhar um local exclusivo, passo decisivo para se transformar no maior evento cultural-folclórico do Sul.
A Ordem dos Cavaleiros, entidade que organiza o evento com a prefeitura, anunciou a construção de um parque temático em uma área de 60 mil metros quadrados ao lado do Parque das Araucárias.
Fará parte do complexo um mercado medieval, restaurantes com comidas ‘‘moura ’’ (árabe) e ‘‘crist㒒 (porco no rolete e carneiro no buraco), museu, castelos, jogos e brinquedos e outras atrações.
Enquanto o ‘‘Cavalhódromo’’ não é erguido, a festa segue sendo realizada no Parque de Exposições Lacerda Werneck. Serão três noites de espetáculo. Nas duas primeiras –sexta e sábado– o público assistirá a encenação de 700 atores amadores em uma cidade cenográfica. No domingo, a atração são os jogos medievais e a escolha da princesa das Cavalhadas, que protagonizará os espetáculos de 2003 e 2004.
A estrutura está montada. Além dos castelos medievais, da arena, camarins, restaurantes, lanchonetes, mercado medieval, foram montados 80 camarotes (R$ 100,00 por noite ou R$ 150,00 para três dias). A programação começa às 20h30 e ingressos custam R$ 5,00.
A Companhia Teatral Arte & Manha dirigirá o espetáculo. Entre as novidades para este ano esta o rapel, praticado para resgatar a princesa cristã raptada pelos mouros, na invasão ao castelo. O príncipe cristão será o ator global Marcos Pasquim, o Dom Pedro I de ‘‘O Quinto dos Infernos’’.
As Cavalhadas tiveram origem na batalha de Ourique, em 1139, quando os ibéricos libertaram a primeira cidade sob domínio árabe, originando o Estado Português. Até 1937, as Cavalhadas eram realizadas nas principais cidades paranaenses. Apenas Guarapuava manteve a tradição.

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