Cavalgada na cidade, missa na fazenda
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segunda-feira, 22 de janeiro de 2007
Guilherme Borges<br>Reportagem Local 
Jaguapitã - Diferentes pessoas, de vários municípios, crianças, jovens, adultos e idosos, homens e mulheres, com cavalos e bois de raças variadas compuseram o cenário da 10ªCavalgada de São Sebastião, ontem, em Jaguapitã (46 km ao norte de Londrina). Comitivas de 50 cidades da região compareceram no evento que já é considerado, pelos próprios cavaleiros, como tradicional no Estado. A gente é muito bem recebido aqui, faz vários amigos e a comida é boa, opinou o peão Jonatas Viana Rodrigues, 18 anos, de Sabáudia.
A cavalgada surgiu com o propósito de homenagear São Sebastião, considerado patrono dos animais e, por conseqüência, dos cavaleiros. É uma forma de agradecermos e pedirmos a benção deste protetor que é São Sebastião, patrono dos rodeios, explicou o padre José Pedro da Silva, mais conhecido como Padre Peão. A alcunha não é gratuita; quando mais jovem, ele montava em rodeios nacionais e hoje participa de cavalgadas e reza missa entre os peões.
De acordo com a organização do evento, cerca de 800 cavaleiros e amazonas participaram da festa. Enviamos convites para 60 municípios participarem com suas comitivas, mas como o tempo estava com perigo de virar, acredito que vieram menos pessoas do que o esperado, afirmou um dos organizadores da cavalgada, João Santana. O evento começou às 10 horas com missa rezada em uma fazenda próxima ao município. Na seqüência os cavaleiros andaram pela cidade, receberam a benção na igreja matriz e retornaram à fazenda para festejar com um farto almoço.
Enquanto aguardavam a missa inicial, os amigos de Miraselva, Edilson Rodrigues, 20 anos, Carlos Baise, 31, e Rhafaella Morandi, 16, estavam certos de que a festa seria boa. É bom demais vir prestigiar a cavalgada. Depois tem até um rastapé para a gente aproveitar, brincou o mais velho.
O casal de Sabáudia, Luiz Fernando Scopano, 18 anos, e Elaine Moura, 16, também estava ansioso. Era a primeira vez que os dois participariam da cavalgada de Jaguapitã. É um evento importante para a cidade porque ajuda a movimentá-la. E para nós é uma forma de prestar homenagem ao santo e aos moradores, afirmou o cavaleiro.
Bem mais experiente em cavalgadas, o veterano de Centenário do Sul, Adelino Ignotti, 73 anos, tão logo ouviu uma moda sertaneja, sacou seu berrante e deu suas boas-vindas aos colegas cavaleiros. Montado na mula Bailarina, companheira inseparável, ele segredou: Você sabe que eu tenho um carro novo na minha casa, mas me sinto bem mesmo é em cima dessa mula?.
O pequeno Gean Rodrigo, de apenas dez anos, também parecia bem confortável sob a égua dele. Ela se chama Paloma, contou timidamente. Sem vergonha alguma e certo de que seu Corumbá iria chamar a atenção entre tantos cavalos, mulas e éguas, o anfitrião Carlos Pessoa, 31 anos, desfilava montado em um touro. Ele é manso, mas esse chifre e esses cascos pesados podem machucar bastante, avisava. Para ele, que é de Jaguapitã, a cavalgada é uma forma de promover e animar o pequeno município. Para nós é um grande prazer receber as pessoas.


