A procissão em homenagem a Santo Antônio, ontem, no distrito da Warta (Zona Norte de Londrina), foi acompanhada por uma antiga tradição da Zona Rural. A imagem do santo - que teve seu dia comemorado ontem - foi acompanhada por aproximadamente 60 cavaleiros que participaram da 2 cavalgada da festa do padroeiro do distrito.
A comemoração começou na noite de sábado, com missa, procissão, bingo e show sertanejo. Na manhã de ontem, além da cavalgada, houve missa, benção dos carros e almoço com pratos típicos da culinária tropeira.
As tropas participantes eram de Londrina, Cambé, Ibiporã e Sertanópolis, além de cavaleiros da propria Warta. ''Há pessoas de todas as idades, a cavalgada é para reunir a família'', disse Everaldo Correia do Carmo, responsável pela Tropa Londrina e organizador do passeio.
Criado na lida com animais, em uma família que trazia cavalos de Minas Gerais para vender no Paraná, o criador de gado Anésio Carvalho, 64, era o mais antigo participante do evento. ''Nunca morei na cidade. Trabalho com animais desde criança'', disse ele, que comanda a tradicional tropa de burros ''Sem Destino'', com equipamento cargueiro de mais de cem anos. ''O burro é mais inteligente, reconhece o dono pelo cheiro e nunca esquece os lugares por onde passa'', afirmou, justificando seu apreço pela espécie.
Carvalho mantém a tradição de participar das cavalgadas há 40 anos. Além disso, no sítio onde mora em Sertanópolis, exerce a função de benzedor. ''Minha mãe de 96 anos anota o nome das pessoas que me procuram e, quando chego em casa, benzo pelo nome.''
O empresário João Batista da Silva, também integrante da tropa ''Sem Destino'', foi ontem à Warta com a missão especial de preparar o almoço para pelo menos 150 pessoas. No cardápio, ele escolheu feijão tropeiro, charque com batata e linguiça, arroz branco e salada. ''Cresci na cozinha, pois meus pais sempre tiveram restaurante'', contou.
De espírito aventureiro, além de viajar para preparar iguarias tradicionais em festas populares, ele participa de cavalgadas e encontros de motociclistas. ''Ano passado, percorri Uruguai, Argentina e Chile de moto. Atravessei toda a Cordilheira dos Andes.''
Com menos histórias para contar, mas entusiasmo semelhante, Fabrício da Silva Nunes, 11 anos, aguardava ansiosamente pelo início da cavalgada.''Aprendi a cavalgar faz pouco tempo, mas já andei 40 quilômetros na ida e volta até Cambé'', orgulhou-se o garoto, que espera aprender cada vez mais sobre a arte de lidar com os animais de montaria.

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