Curitiba - ''Os procedimentos são realizados apenas em casos muito específicos, que se adequam às condições do procedimento. A indicação é muito precisa'', ressalta o ortopedista Richard Luzzi, do Hospital Cajuru. O tratamento exige uma equipe multidisciplinar especializada e comprometimento do paciente, que passa por uma série de avaliações psicológicas.
O valor do procedimento ainda é muito caro. Cada haste custa em torno de R$ 35 mil, o que faz com que muitos planos de saúde não cubram o tratamento. Luzzi afirma, porém, que existe uma intensa divulgação sobre a tecnologia -principalmente na internet a interessados em recuperação estética-, sem a preocupação com a seleção dos pacientes. ''A cirurgia não pode ser realizada de qualquer maneira, tem que ter controle'', critica.
Desde a implantação no País, cinco locais realizaram a nova técnica. Pelo Sistema Único de Saúde (SUS) foram apenas duas cirurgias de colocação da haste. O Hospital Cajuru é o segundo local com maior número de realização de cirurgias, até agora foram seis pacientes que utilizaram a ISKD, entre eles a adolescente Fernanda Ronkoski, 14 anos, atendida pelo SUS.
Um acidente de carro aos 4 anos de idade causou em Fernanda uma lesão na cartilagem que promove o crescimento ósseo da perna esquerda. Durante dez anos, a garota passou por diversos tratamentos, entre eles, uma cirurgia para a colocação do pino externo e outra para desentortar a perna.
A solução de seu problema veio apenas há um ano, quando se submeteu à cirurgia de colocação da haste. Ela conta que a técnica causa menos dor em relação às que se submeteu anteriormente. ''Agora estou 100% e muito feliz. Antes doía, mas nessa (cirurgia) doeu um pouco, mas era uma dor que dá para aguentar tranquila'', afirma animada.
Entre os novos planos da adolescente, está o de voltar imediatamente à escola. A recuperação de sua perna acaba com um outro problema que sofreu durante a infância, o preconceito. ''Ela tinha muita dificuldade em fazer amizade. Todo dia que chegava na escola, ela me esperava chorando no portão'', lembra a mãe, Rosilene, falando das brincadeiras que Fernanda era alvo na escola. (C.G.B.)

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