Causas: mudanças no Planeta
Maigue Gueths
De Curitiba
O ressurgimento de algumas doenças e o agravamento de outras, como a gripe australiana, que está causando mortes principalmente na Europa, são consequências de uma série de alterações que estão ocorrendo no planeta. A opinião é do secretário de Estado da Saúde, Armando Raggio: Nunca tivemos tanta gente e vírus no mundo, assim como o fluxo de pessoas, animais, plantas e seres infectantes é bem superior ao que existia antes, diz.
Segundo ele, os fatores responsáveis por estas doenças são a mutação genética acelerada de vírus e bactérias, alterações no meio ambiente, mudanças no comportamento humano, aceleração do processo industrial, além da redução do tempo e espaço, pelo desaparecimento de barreiras climáticas, velocidade do transporte e facilidades alfandegárias.
A gripe, por exemplo, é uma doença permanentemente renovada por vírus que vão se adaptando. Já o aparecimento da dengue no Paraná é resultado do desmatamento. O mosquito da dengue, o Aedes aegypti, habitava as florestas do Paraná, mas com o desmatamento aconteceu o que chamamos de domiciliação do mosquito. Ou seja, ele passou a ir para as casas, colocando seus ovos na água dos pratos de vasos, em pneus, diz Raggio. A partir do primeiro caso no Estado, a Secretaria iniciou um grande trabalho de vigilância e conscientização, visitando as casas e acabando com os focos propícios à proliferação. Assim, de cerca de três mil casos em 96, a dengue passou para cerca 10 casos em 97.
Segundo o secretário, o Paraná, com seu clima frio, sempre serviu de barreira para doenças de clima tropical, como a dengue e a febre amarela, por exemplo. Com as mudanças do clima e as mutações dos mosquitos, esta barreira natural não consegue mais segurar as doenças, sendo necessária a ajuda de uma barreira humana. É aí que entram os serviços de saúde. Para exemplificar, ele cita o caso da varíola, erradicada desde 70. Em 69, houve mil casos e decidiu-se vacinar todos que tiveram contato com os doentes, num total de 30 mil pessoas. Depois desta ação intensiva, só foi registrado mais um caso em 70. A erradicação da raiva, há 30 anos, e da paralisia infantil, desde 86, também aconteceu a partir de ações concentradas.
Em 98 foi a vez do sarampo ressurgir. Houve vacinação em massa nos jovens, com reações diversas, mas foi possível interromper o ciclo da doença, tanto que em 99 só foi registrado um caso.
Há quatro quesitos que determinam o aparecimento de uma doença: o código genético da pessoa, o meio ambiente, os serviços de saúde e o comportamento humano. E as doenças se beneficiam das mudanças nestas áreas, diz o secretário, lembrando que os serviços de saúde têm que se antecipar às mudanças e prevenir as doenças, seja com campanhas de vacinação ou trabalhando para mudar o comportamento humano. Estas doenças emergentes estão voltando ou por culpa do comportamento do homem ou porque o homem está atuando como predador da natureza, diz.
OUTRAS PREOCUPAÇÕES NO PR
- Febre amarela: último caso de febre amarela silvestre foi registrado em 1966. Vacinação está sendo feita desde agosto. Meta é imunizar 5,4 milhões de pessoas.
- Dengue: 548 casos em 1998; 299 casos em 1999
- Malária: Em 1999 foram registrados 3 casos no distrito de Jacarezinho, 122 em Londrina, 274 em Foz do Iguaçu e 19 em Paranaguá.





