Causa da morte de jovem ainda é desconhecida
O vendedor Flávio Vieira, 20 anos, ainda engasga quando fala do drama que levou o irmão Paulo Emílio de Farias Júnior, 21, à morte no dia 16 de setembro. Não só a perda comove o ente querido. Um mês após o fato, a família ainda não sabe a causa do falecimento. Paulo teve febre, vômito e diarréia. Esteve em um hospital de Londrina no dia 13, uma sexta-feira. Foi medicado e liberado, mas voltou ao hospital em estado grave na segunda-feira, dia 16. Ao morrer, o jovem apresentava quadro de broncopneumonia e septicemia. No entanto, um raio-x feito nos pulmões, realizado no dia 13, não teria mostrado anormalidades.
''Faz um mês, e ainda não tivemos resposta'', reclama Flávio. ''Parece que, se não formos atrás, não saberemos ao certo o que aconteceu com o meu irmão''. A situação, segundo ele, desestruturou a família. A mãe Vera Lúcia também luta para descobrir o que realmente matou Paulo Emílio, um rapaz forte e saudável, que em questão de horas adoeceu de forma grave. Inicialmente, existiu a suspeita de hantavirose, devido aos sintomas apresentados.
Flávio reclama que há pouco interesse tanto do hospital como dos órgãos governamentais em descobrir o que realmente teria causado o quadro infeccioso. ''Já fizeram a sorologia há quatro semanas, mas ainda não sabemos nada'', desabafa.
Por terceiros, a família descobriu que tem direito a acessar o prontuário de Flávio. ''Agora nós vamos atrás desse prontuário'', garante. Maior angústia ainda gera a falta de tempo para ''investigar'' o que matou Paulo Emílio. ''Eu e minha mãe precisamos tocar nossa vida, não há como ficar todos os dias tentando resolver a situação'', lamenta o vendedor.
O funcionário público José Carlos Fortunato de Paula, 32 anos, que permaneceu 20 dias em coma após um cirurgia para enxerto de ouvido, afirma que tudo o que sabe sobre as investigações do seu caso é através do promotor Paulo César Tavares. ''Ele me disse que já recebeu o prontuário e documentos do Hospital. Parece que aconteceu alguma coisa mesmo'', relata José Carlos.
Além da luta para descobrir ''mais a fundo'' as circunstâncias que o levaram ao coma e às sequelas, ele também luta para a recuperação. Precisa passar por sessões de fonoaudiologia, fisioterapia e de remédios. ''Já briguei com a assistente social, pois não estão me tratando direito'', reclama, expondo sua situação. ''Faz nove meses que não ando sozinho, não como sozinho, não tomo banho sozinho e não me visto sozinho''.





