Milton DóriaDedicaçãoO biólogo e dentista João Galdino, do museu de Cornélio Procópio: trabalho cultural e educativoQuem passar pelo Catuaí Shopping Center nos próximos dias poderá conhecer um pouquinho da fauna brasileira e também da fauna mundial, através de uma exposição de 800 animais taxidermizados (empalhados). A exposição, primeira deste tipo realizada em Londrina, foi aberta ontem e continua até o dia 29.
Expostos na Praça de Eventos, os animais foram organizados por ecossistema. Da fauna brasileira, os visitantes vão conhecer animais representantes da Mata Atlântica, floresta amazônica, cerrado e pantanal. Logo na entrada da exposição, a harpia ou gavião real recepciona o público.
A harpia foi taxidermizada trazendo um macaco como presa, entre as garras. Espécie natural da floresta amazônica, a harpia é maior águia do planeta e está entre os animais condenados à extinção, de acordo com o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama). A abertura da exposição também traz uma gralha azul, símbolo da fauna do Paraná.
Além da harpia, muitos outros animais expostos fazem parte da lista do Ibama de animais em extinção, como o mico-leão dourado, mico-leão de cara dourada, pavó ou pavão do mato, sagui bicolor e arara azul.
A fauna exótica - formada por espécies européias, asiáticas, australianas, africanas e americanas - está representada por animais como falcão peregrino, calau da Malásia, flamingo africano, papagaio do Congo, cervicapra e grou coroado. Para ambientar o local, uma coletânea de cantos de animais com seis horas de duração é reproduzida durante todo o tempo.
Milton DóriaAo vivoEcossistema representando a floresta amazônica: exposição prossegue até o dia 29 no shopping Catuaí
Os animais fazem parte do acervo de 6.800 espécies do Museu de História Natural da Faculdade Estadual de Filosofia, Ciências e Letras de Cornélio Procópio, Professor Luiz Trajano da Silva. Formado pelo acervo particular do biólogo e dentista João Galdino, o Museu começou a ser montado há 38 anos. Há 25 anos à frente do Museu, Galdino calcula que 98% das pessoas não conhecem a maioria dos animais expostos.
Com a intenção de ativar a conscientização ecológica na comunidade, a exposição tem seis grandes painéis com informações sobre cada um dos ecossistemas reproduzidos no local e ainda sobre a técnica da taxidermia.
Em cada um dos ecossistemas representados há a listagem de cada animal exposto com nome popular e científico. Além disso, a equipe responsável pela exposição mantém sempre uma pessoa para maiores informações. ‘‘É um trabalho cultural, educativo, ambiental e de conscientização geral’’, afirma Galdino. ‘‘Como não poderíamos trazer o bicho vivo por falta de condições para mantê-lo, essa é uma chance das crianças conhecerem animais que não verão mais.’’
O Museu Natural, segundo ele, só realiza exposições com a exigência de que o trabalho servirá de base para atividades escolares. ‘‘Fazer uma exposição só para matar a curiosidade não tem nenhum sentido’’, diz Galdino.
Todos os animais do Museu Natural, orienta Galdino, morreram naturalmente e são doações de zoológicos de todo o Brasil, apreensões de caças clandestinas do Ibama e da Polícia Florestal.

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