Catraca trará demissões, diz sindicato
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terça-feira, 17 de fevereiro de 1998
Lúcio Horta 
O vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários de Londrina, João Batista da Silva, afirmou ontem que toda a categoria atendida pela entidade ficou perplexa com a notícia da substituição dos cobradores de ônibus na Cidade por catracas eletrônicas. O maior temor, segundo ele, é o desemprego. Nos recusamos a acreditar que isso seja implantado nesta administração. Seria um contra-senso uma Cidade que se esforça para criar empregos acabar, de uma só vez, com 600 postos de trabalho.
Segundo João Batista, a garantia das empresas e também da Companhia Municipal de Urbanização (Comurb) de que não haverá demissão em função do novo sistema não passa de discurso. Num primeiro momento fala-se que não haverá demissões. Mas depois isso acaba acontecendo. Ou será que eles assinariam um documento garantindo, por exemplo, a estabilidade para estes funcionários por um período de 10 anos?
O sindicalista observa também que durante o processo eleitoral a categoria apoiou a candidatura do prefeito Antonio Belinati em troca de um compromisso social. E essa atitude (implantação das catracas eletrônicas no lugar dos cobradores) é anti-social. É um descumprimento do compromisso assumido com a Cidade, aponta. Nossa esperança é que o próprio Belinati procure reverter essa decisão.
João Batista diz também que não faz sentido investir tanto dinheiro e sacrificar tantos postos de trabalho num projeto de modernização que não vai resultar - segundo avaliação prévia das próprias empresas - na diminuição do preço da passagem. Ainda segundo ele, em algumas cidades onde o sistema de catracas eletrônicas foi implantado, o resultado não foi o esperado. Em Sorocaba (interior de São Paulo), por exemplo, teve muito problema. O que sabemos é que não funciona bem.
O sindicalista explica que a entidade vai tentar convencer diplomaticamente a administração do prejuízo que traria para Cidade o novo sistema de catracas eletrônicas no lugar dos cobradores. Se isso não funcionar, afirma João Batista, e o novo sistema for implantado goela abaixo, como ele define, a categoria será convocada para encontrar a melhor forma de protestar.
Conforme noticiou a Folha na edição de ontem, a expectativa do município é que até a primeira metade de 1999 o novo sistema com catracas eletrônicas já esteja implantado em Londrina. Para isso, a Comurb autorizou as duas empresas do setor que operam na Cidade - Francovig e Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL) - a promover estudos sobre a implantação das catracas, inclusive com pedido de orçamento junto a fornecedores.
O objetivo do novo sistema, segundo a companhia, é promover a modernização no transporte coletivo em Londrina. Além das catracas, foi contratada uma empresa de consultoria para identificar na Cidade os problemas mais comuns - que prolongam o tempo de viagem dos usuários - e também propor soluções.


