Onde estava a guarda policial quando 14 detentos escaparam do 4º Distrito Policial (DP) à luz do dia, na manhã de ontem? E por que o Pelotão de Choque da Polícia Militar (PM) não compareceu ao local quando os presos armados de barras e estoques ameaçaram tomar reféns e ''virar a cadeia''?
As interrogações estavam na boca de alguns dos próprios policiais que acompanharam a situação e de moradores dos arredores do 4º DP (localizado na Zona Sul), cada vez mais amedrontados com as constantes fugas. Na ocorrência de ontem, por volta das 9 horas, os 14 presos da cela número três conseguiram escapar por um buraco cavado no teto e se espalharam pelas redondezas. Onze deles foram apanhados pela polícia em apenas 20 minutos. Já Donizete Aparecido dos Santos, Sivaldo Alves dos Santos e Valdir Alves, todos presos por assalto à mão armada, permaneciam foragidos até ontem. O DP, com capacidade para 24, estava ontem com 77 presos.
Depoimentos prestados à reportagem indicam que, no momento da fuga, não havia policiais militares vigiando a área externa do distrito, como obriga a Justiça. O pedreiro Olinto Rodrigues Moreira, 59, estava fazendo obras no telhado de uma casa vizinha ao 4º DP quando testemunhou a fuga. ''Quando vi alguns no teto, achei que fossem pedreiros também. Depois vi vários saindo do buraco e correndo feito formiguinhas. Não vi nenhum policial no pátio'', relatou.
O chefe do setor de Relações Públicas do 5º Batalhão (BPM), tenente Ricardo Eguedis, sustentou que a recaptura dos presos teria sido rápida justamente porque a fuga foi percebida pela equipe de guarda da PM. Entretanto, um policial militar disse à Folha que foi ele quem acionou a central quando passava pela Via Expressa, a caminho do quartel.
Após a devolução de 11 fugitivos à carceragem, a situação ficou tensa dentro do DP. Policiais civis tentaram remover detentos de uma cela para colocar alguns dos recapturados no lugar, mas sofreram resistência. Os presos ameaçaram fazer uma rebelião, tomando colegas ou policiais como reféns. Apesar de quase uma dezena de armas improvisadas terem sido apreendidas com os internos, ainda havia estoques e barras de ferro entre eles.
''É loucura enfrentá-los desarmados'', ponderou um escrivão. Os quatro PMs chamados como reforço também se recusaram a entrar na carceragem sem a presença do Choque. Quando a imprensa deixou o 4º DP, pouco depois das 11 horas, o Pelotão ainda não havia chegado. ''É sempre assim, o Choque não trabalha de manhã. Os presos já perceberam isso e têm agido durante o dia. Temos que dar conta de contê-los sozinhos, arriscando nossas vidas'', criticaram policiais civis.

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