Marcelo AlmeidaIrmã Antenesca: ‘‘Objetivo é passar uma formação humana e crist㒒As ações que a Igreja Católica realiza para apoiar e favorecer a recuperação de prostitutas estão centralizadas na Pastoral da Mulher Marginalizada. Segundo a coordenadora desse trabalho, irmã Antenesca Michelin, a pastoral vem conseguindo bons resultados em relação à luta contra a transmissão da Aids e de outras doenças sexualmente transmissíveis, por meio de palestras que explicam as formas de contágio e estimulam o uso da camisinha. Irmã Antenesca diz que nos últimos meses a pastoral não conseguiu fazer com que nenhuma mulher saísse das ruas e mudasse de vida. ‘‘O projeto ficou parado de novembro do ano passado até o início do mês de março, por falta de voluntárias’’, justifica.
A coordenadora da Pastoral explica que, em Curitiba, os melhores resultados acontecem na Casa de Acolhida Madre Antonia, para onde são encaminhadas as prostitutas menores de idade. Segundo a coordenadora, o trabalho ganhou força depois de novembro, graças a um convênio com a prefeitura, que auxilia no projeto. ‘‘É para lá que as menores de idade que trabalham como prostitutas são enviadas para passar por uma triagem’’, diz.
Segundo ela, o segredo do projeto é que a permanência das meninas na casa é livre. ‘‘Quem quiser ficar permanece lá, até ser encaminhada para a família ou emprego.’’ Nessa casa as meninas recebem assistência psicológica e social. ‘‘O objetivo é passar para as menores uma formação humana e crist㒒, diz.
O trabalho da pastoral é realizado nas ruas por uma equipe de cinco voluntárias. O grupo frequenta os pontos de prostituição, como boates e praças, e durante a abordagem busca a aproximação das mulheres sem que se fale em abandono das ruas. ‘‘O objetivo é que essas mulheres vejam que alguém é capaz de amá-las e que elas têm uma dignidade que pode ser resgatada’’, diz irmã Antenesca.
Os contatos realizados pela pastoral demonstram que a esperança da maioria das prostitutas é mudar de vida, mas faltam oportunidades de um emprego que mantenha os ganhos no patamar do que faturam nas ruas. A causa dessa diferença é que poucas dessas mulheres têm formação profissional, mas ganham em média R$ 300,00 se prostituindo. Quando deixarem a prostituição terão de partir para o salário mínimo de R$ 128,00, o que é insuficiente para suas despesas. Para minimizar esse problema, a pastoral oferece vagas nos cursos supletivos do Colégio Nossa Senhora de Lourdes para quem não tem o 1º Grau, com fornecimento de vale-transporte, inclusive.
A pastoral mantém ainda uma sala para atendimento no centro da cidade, onde são feitas entrevistas e são realizadas oficinas de artesanato, bijuterias, bordado e música, além de uma refeição no final do dia. Irmã Antenesca diz que a pastoral também está mantendo negociações com o Serviço Social da Indústria (Sesi) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) para a realização de convênios que possam preparar essas mulheres para o mercado de trabalho, por meio de cursos como o de computação e de cabeleireiro.

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