Uma pequena congregação católica sediada em Londrina está em campanha para construir o primeiro templo adaptado para o público surdo-mudo no País. Sob a benção de Nossa Senhora do Silêncio, padres e voluntários rezaram a primeira missa num terreno baldio na Rua Comandante Carlos Alberto, no bairro Novo Aeroporto (Zona Leste), área destinada a abrigar uma capela de 120 lugares. ''Queremos estar com o prédio pronto já no ano que vem. E este ano queremos rezar a missa de Natal no canteiro de obras'', conta o padre Heriberto Mossato de Souza, eleito presidente da iniciativa.
O templo será construído a poucos passos do seminário da Congregação Pequena Missão para Surdos, que há 28 anos dá uma formação especial para a evangelização voltada aos deficientes auditivos. A ordem religiosa, criada pelo padre José Gualandi, surgiu na cidade italiana de Bologna em 1849.
À época da criação da congregação, o pintor Goertino reproduziu numa tela a imagem de Nossa Senhora fazendo uma autorreferência na linguagem dos sinais. O pintor deu o nome à tela de Nossa Senhora dos Surdos e presenteou Gualandi, que adotou oficialmente a imagem. O nome da capela em Londrina é uma adaptação para atrair um público ainda mais amplo. ''A palavra silêncio, além de fazer uma alusão a uma das características do mundo dos deficientes auditivos, também remete à própria existência da mãe de Jesus, que fez tanta coisa, mas sempre de forma silenciosa'', explica.
O padre João Adão Andrade, que trabalha na sede da congregação em Roma (há seminários também nas Filipinas e um em construção na República Democrática do Congo) e que está no seminário para ajudar na mobilização em torno da obra, acredita que o local pode se transformar numa referência para a religiosidade dos deficientes auditivos no País. ''Temos muita esperança que as pessoas virão aqui para conhecer este espaço. Gente do Brasil e gente do exterior'', diz. Os padres não confirmam, mas há quem diga que a pretensão da iniciativa é transformar o local em um santuário.
Hoje os fiéis surdos-mudos assistem às missas de sábado na garagem do prédio onde funciona a congregação. As celebrações costumam atrair em média 200 pessoas. ''Em dias de muito frio e de muita chuva, o espaço fica muito desconfortável'', conta padre Heriberto.
Voluntários
A construção da capela só será possível por uma combinação de fatores. O fato da congregação ter três terrenos à disposição permitiu a redução dos gastos pela metade. O envolvimento de voluntários também evita gastos com honorários. O administrador de empresas e professor de economia João Manoel de Almeida, pai de uma menina surda-muda, ficará responsável por gerir os recursos arrecadados. A estimativa é que a obra custa cerca de R$ 500 mil.
O projeto arquitetônico foi elaborado por dois fiéis, os arquitetos Luigi Guazzelli Bonezzi e Mariana Shigeharu. Ainda faltam os projetos complementares de engenharia, mas já há voluntários interessados, afirmam os padres.
Bonezzi diz que uma construção voltada aos surdos-mudos deve contemplar principalmente a visão de quem vai assistir as cerimônias. Com isso, os assentos ficarão em ângulo ascendente para que a plateia tenha completa visibilidade dos ocupantes do altar, que estarão se comunicando pela linguagem dos sinais.
Mariana explica que a fachada será de vidro transparente revestido com uma película. Sem luz, o interior fica invisível para quem passa na rua. Iluminado, se torna convidativo para quem passa na rua. ''Assim, queremos dar um sensação mais clara de isolamento, de interiorização'', explica.
No total, serão 400 metros quadrados de área construída, com estacionamento para 20 carros. A capela terá sacristia, salas de atendimento e de reunião e banheiros externos.
As cerca de 200 pessoas que compareceram à missa que marcou o lançamento da obra escreveram o nome e o principal sonho de vida num papel. Os bilhetes foram colocados dentro de uma cápsula que será enterrada sob o altar.
O padre Heriberto lembra que será lançado um carnê de adesão para contribuições mensais e também será vendida uma rifa, cujo prêmio será uma viagem com acompanhante para Roma, com hospedagem na sede da congregação.
Serviço:
Os donativos de qualquer valor podem ser depositados na conta da congregação Pequena Missão para Surdos. Bradesco - Agência 6133 - Conta Corrente 900-8. Informações pelo telefone (43) 3325-8105 ou no site gualandi.com.br.

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