Católicos debatem valores familiares
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 17 de maio de 2000
Paulo Pegoraro De Cascavel 
Religiosos e leigos da Igreja Católica estão reunidos em Cascavel, no Círculo de Estudos e Debates Teológico-Pastorais, discutindo valores familiares e outras questões preponderantes para os chamados tempos modernos, no evento denominado Trindade e Família Rumo ao Novo Milênio. O encontro foi iniciado anteontem e será completado hoje, no Centro de Formação Diocesana. Um dos participantes é o frei Antonio Moser, 60 anos, da congregação franciscana, doutor em teologia moral e diretor-presidente da Editora Vozes.
A temática central é a Pastoral Familiar, um novo enfoque da igreja para sua Pastoral da Família que era mais voltada ao contexto de um país agrário, mas que não responde mais, sozinha, às necessidades de um mundo urbano. Os coordenadores do evento explicam que a Pastoral de Família trata de pessoas na sua individualidade, enquanto a Familiar trata de famílias participantes de contextos social, econômico, político, religioso e cultural, muito mais submetidas ao impacto de fatores externos do que no passado.
Segundo frei Moser, as transformações sociais têm atingido a família de forma sensível. O círculo familiar num contexto agrário era de poucas famílias, que se conheciam e se relacionavam, enquanto no mundo urbano não há mais esse círculo fechado, observa. O religioso comenta que o mundo urbano exige que as pessoas se articulem com os grandes problemas da sociedade, e não se pode mais falar da família no singular por exemplo, os pais considerando os filhos sua propriedade, controlando-os na idade adulta mesmo depois de casados.
Moser salienta que fatores externos são cada vez mais preocupantes, miséria, corrupção, degradação moral e outras situações são altamente deseducativas para a vida familiar, e a pior pornografia é a corrupção, porque ela desumaniza e desestrutura as relações humanas e a sociedade. Para o frei, a família deve estar atenta às transformações.
Uma transformação positiva nas relações dos casais é que, hoje, se passou a dizer não à dominação e ao machismo, a mulher é uma companheira. Para Antonio Moser, apesar de toda a complexidade contextual, as famílias podem ser felizes, no sentido de sua realização, não como o bobo, que também pode se sentir feliz, mas pelo empenho de seus membros, pela criatividade e harmonia que estabeleçam entre si.


