Católicos debatem mercado de trabalho
PUBLICAÇÃO
domingo, 27 de maio de 2001
Rosângela Vale De Londrina 
Cerca de 300 fiéis de várias paróquias de Londrina se reuniram ontem pela manhã na concha acústica (área central) para debater as mudanças no mercado de trabalho, apresentar iniciativas de combate ao desemprego e celebrar a fé e a esperança. Com o tema Vida Sim, Desemprego Não, numa alusão à campanha da fraternidade deste ano, os participantes da 10ª Romaria do Trabalhador simularam uma tenda, segurando fitas coloridas que saíam de uma estrutura central também sustentada por eles.
De acordo com o coordenador da romaria, padre Jorge Pereira de Melo, o gesto tem um simbolismo. Todos nós moramos na tenda de Deus, que é o mundo. E cada um, ao fazer a sua parte, é responsável por torná-lo mais viável, explicou. No meio da tenda foi colocada uma mesa com instrumentos de trabalho serrote, peneira, pincéis e pães, que foram distribuídos entre os participantes do encontro.
A romaria do trabalhador acontece anualmente em várias cidades brasileiras, em dias diferentes mas sempre no mês de maio. A proposta é refletir sobre o tema da campanha da fraternidade sob a ótica dos trabalhadores. Apesar de o mau tempo ter atrapalhado um pouco a organização esperava um público de 1.500 pessoas, média atingida nas romarias anteriores , o padre Jorge garantiu que o mais importante foi ter conseguido que todas as comunidades e regiões da cidade estivessem representadas.
Durante a celebração foram apresentados testemunhos de algumas experiências no combate ao desemprego e à exclusão social. Provamos, assim, que é possível criar meios de vida para que a pessoa não fique só na dependência dos órgãos públicos. E que a solução dos problemas pode estar a nosso alcance, observou padre Jorge.
O grupo de costura comunitária do Jardim União da Vitória (zona sul) foi um dos projetos mostrados. Coordenado por professores do curso de estilismo em moda da UEL, o trabalho é inspirado na experiência das artesãs da favela da Rocinha, do Rio de Janeiro, que ganharam visibilidade nacional porque fazem roupa com retalhos para ajudar no orçamento doméstico.
De acordo com a presidente da associação das mulheres do Jardim União da Vitória, Erinelza Alves Tenório, a renda ainda é mínima, mas a intenção é montar uma cooperativa para ampliar a produção. Porém, o grupo dispõe de poucas máquinas. Os retalhos são doados pelas confecções locais e as peças são vendidas em alguns shoppings e feiras livres. Juntas, a gente pode achar a solução para o problema do desemprego, disse Erinelza.
Também subiram ao palco do concha representantes da associação de mulheres do Jardim João Turquino (zona oeste), que se uniram para buscar formas alternativas de geração de renda; o grupo de Capoeira Estrela do mar, com 60 crianças e 50 adolescentes dos jardins Santa Fé e Monte Cristo (zona leste), cujo objetivo é a prevenção do uso de drogas e a integração na escola e na sociedade; e os membros da pastoral social do Jardim Piza (zona sul), que atuam na arrecadação e distribuição de cestas básicas para famílias carentes, além de desenvolverem um trabalho social em várias comunidades.
A romaria terminou às 11h30, com um rápido pronunciamento do prefeito Nedson Micheleti. Em seguida, os fiéis saíram em procissão até o coreto do Calçadão.


