Católicos criam programa de amparo
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quarta-feira, 03 de setembro de 1997
Paulo Pegoraro Cascavel 
Edson MazzettoApoioPadre Valentin Grapeggia conversa com doentes e abraça um dos atendidos: idéia lançada nas missasPortadores do vírus HIV e doentes de Aids de Cascavel rejeitados por suas famílias têm a partir de agora uma Casa de Apoio, montada pela comunidade católica da Paróquia Nossa Senhora Aparecida (Catedral), no centro da cidade. Para manter a Casa, aberta no início da semana e ontem já abrigando quatro pessoas, será utilizada parte do dízimo, a contribuição oferecida à Igreja pelas famílias de acordo com seus rendimentos, e outras doações.
O envolvimento da Igreja e suas organizações no amparo direto aos portadores do vírus e doentes não é comum no Estado. O Centro Social Nossa Senhora Aparecida vai amparar homens adultos. Posteriormente, deverão ser criadas casas para mulheres e crianças. O padre Valentin Grapeggia, pároco da Catedral, relata que a idéia foi apresentada nas missas, seguindo-se discussões com a comunidade. Houve surpreendente receptividade, diz.
A casa alugada por R$ 350,00, na Rua Joaquim Távora (centro), tem capacidade para 15 pessoas e foi montada com móveis e utensílios doados. O custo mensal para manutenção, incluindo cozinheira e administrador, deve ultrapassar R$ 1 mil, além das doações esperadas de alimentos e outros produtos. Várias pessoas, inclusive das áreas de assistência social e enfermagem, se prontificaram para trabalhar voluntariamente no local.
O padre Grapeggia observa que a Casa de Apoio não é uma unidade hospitalar, mas lhe atribui a mesma importância que os serviços especializados de atendimento. É comum os doentes serem rejeitados pelas famílias, e isso agrava definitivamente sua situação, comenta. Até agora não havia em Cascavel uma estrutura específica para abrigá-los. Marginalizar o doente ou jogá-lo na rua é o mesmo que condená-lo, acrescenta.
Pessoas envolvidas no projeto relatam que alguns moradores vizinhos da casa alugada inicialmente esboçaram reação contrária, alegando que poderiam ser submetidos a riscos. A psicóloga Maria Cristina Martins, que atua no serviço público e apóia o projeto, assegura que inexiste o risco, porque o vírus não sobrevive em sangue e secreções fora do corpo.
Maria Cristina afirma que a Casa de Apoio é estrutura fundamental como complemento ao Serviço de Atendimento Especializado e Centro de Orientação e Apoio Sorológico, unidades da Secretaria de Estado da Saúde existentes em Cascavel.
O último levantamento feito em Cascavel sobre a Aids, em junho, indicou o registro de 177 casos, sendo 11 portadores do vírus e 66 efetivamente doentes e 38 morreram. O contingente mais atingido era o de heterossexuais, seguindo-se usuários de drogas. Nos 23 municípios da 10ª Regional da Saúde, até junho eram 97 homens com o vírus e 73 doentes, e , entre as mulheres, 54 portadoras e 24 doentes.


