Albari RosaDefesaMarta Mussak: aborto apenas para os casos em que a mulher foi violentada ou se há má formação de fetoUma cartilha que defende o aborto está provocando protestos da Igreja antes mesmo de ser lançada. Escrito pela instituição Católicas pelo Direito de Decidir, o documento justifica a interrupção da gravidez apoiando-se em textos de São Tomás e do Papa Gregório XII (do século XIII).
Para o coordenador do Instituto da Pastoral Familiar, Nivaldo Eugênio Abra, esse documento não é uma obra católica, pois contraria todos os dogmas do cristianismo. ‘‘Elas utilizam sofismas para pregar às pessoas falsas idéias, que não têm fundamento na Bíblia e em nenhum texto teológico produzido pela Igreja’’, critica Abra.
Albari RosaNeuzeli: contra o aborto como contraceptivo
A cartilha ‘‘Aborto - Conversando a Gente se Entende’’ foi escrita pelas sociólogas Maria José Rosado Nunes (ex-freira) e Myrian Santin Aldana e será lançada em São Paulo no dia 22, e depois distribuída na periferia das capitais brasileiras. Maria José informa que em Curitiba serão entregues 20 mil exemplares a moradoras da Região Metropolitana. ‘‘A intenção é mostrar que a mulher tem o direito de decidir sobre a gestação, sem se sentir culpada pela pressão da Igreja’’, explica a ex-freira.
‘‘Criou-se um dogma sobre o direito de interromper a gravidez’’, avalia Maria José. Segundo ela, o assunto ainda é controverso mesmo entre os teólogos. ‘‘A idéia de que o aborto é um pecado torna-se discutível quando os textos dos maiores pensadores da Igreja defendem o ato’’, avalia. Ela cita como exemplo trechos de São Tomás, do Papa Gregório XII, do cardeal-arcebispo de São Paulo, Dom Paulo Evaristo Arns, e da teóloga Ivone Gebara. Maria considera que a mulher tem o direito de realizar ‘‘seu próprio planejamento familiar’’.
Entre as situações defendidas na cartilha está o direito de fazer o aborto quando a família já tem muitos filhos. O texto cita como exemplo a interrupção da gravidez de uma mãe hipotética, que teria seis filhos e o marido desempregado. Segundo a cartilha, essa mãe poderia pensar sobre a continuidade da gestação, argumentando sobre as dificuldades que os demais filhos teriam com o nascimento da criança. Segundo ela, a gestação poderia ser interrompida até os 40 dias, quando ainda não teria sido formada a vida. Atualmente, a Igreja defende que a vida seria gerada horas após a fecundação do óvulo.
Albari RosaMaria Haluc: ‘‘Esse ato é um crime’’
‘‘Esses argumentos são um absurdo, porque o Cristianismo não defende a morte em nenhuma hipótese’’, questiona o diretor do Instituto Pastoral Familiar, Nivaldo Eugênio Abra. Para ele, as idéias das escritoras da cartilhas não têm consistência. ‘‘Cientificamente se comprova que a vida é gerada momentos depois da fecundação do óvulo’’, afirma, e, por isso, a vida não poderia ser interrompida por outra pessoa. ‘‘O direito de uma pessoa vai até onde começa o princípio da vida de outra’’, defende Abra. Para ele, quando a instituição Católicas pelo Direito de Decidir defende o planejamento familiar está falando de aborto. Nivaldo Abra diz que o único planejamento familiar é o método Billings, que acompanha o ciclo menstrual da mulher.
‘‘A idéia dessa instituição é um reflexo de interesses internacionais’’, afirma. ‘‘Elas fazem parte de uma instituição internacional patrocinada pela Ford e pela Mac Arthur, que desejam o aborto como planejamento familiar’’, diz Nivaldo Abra. Ele conta que existe uma grande pressão dos países desenvolvidos em imbutir o aborto como forma de controle da natalidade.
Casos especiais - A dona de casa Marta Mussak de Souza considera louvável o lançamento de uma cartilha explicativa sobre o aborto. ‘‘No entanto, é preciso que a defesa do aborto seja apenas para os casos em que a mulher foi violentada ou se há má formação de feto’’, afirma. Adotar o aborto como contraceptivo, no entanto, seria para ela uma prática condenável. ‘‘Nesse caso, o ideal é que ocorra o planejamento familiar usando outros métodos mais eficazes e humanos’’, concorda a dona de casa Neuzeli Esmanhoto da Silva.
Já a dona de casa Maria Haluc acredita que qualquer aborto deveria ser proibido. ‘‘Praticar esse ato é um crime, porque significa a morte de uma criança’’, disse. ‘‘Acho que, mesmo que a mulher tenha o direito de comandar seu corpo, ela não pode interferir na vida que está sendo gerada dentro dela’’, finalizou.

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