Embora a decoração de Natal de Londrina esteja aquém das outras cidades, uma ação voluntária na região central chamou a atenção. A Catedral de Londrina deu um brilho especial ao Bosque Central, ligando, neste sábado (8), luzes de decoração natalina, que conta com renas e laços.

O ato, explicou o padre Rafael Solano, foi muito mais do que uma decoração de Natal. "Foi um passo para a conscientização do bosque de Londrina", disse. O pároco contou que é dolorido ver no que tem se transformado o Bosque. "É um espaço de medo, de abandono e estava virando um grande lixão. Se a cidade não toma consciência, logo vai se transformar em um lugar verdadeiramente precário. Então, a Catedral assumiu", contou.

A decoração natalina foi feita com o objetivo de chamar a atenção da cidade para as condições do Bosque Central
A decoração natalina foi feita com o objetivo de chamar a atenção da cidade para as condições do Bosque Central | Foto: Saulo Ohara



Solano argumenta que Londrina tem um coração, que é a Catedral, e dois pulmões: de um lado a Praça da Bandeira, e do outro lado, o Bosque. "Nossa pretensão jamais seria a de enfeitar o Bosque, porque isso custa milhares de reais. Nossa pretensão foi limpar, que foi o que fizemos, e colocamos algumas luzes, para que à noite as pessoas pudessem caminhar um pouco e se sentirem à vontade", disse.

O Bosque é uma urgência da cidade de Londrina, conforme o vigário, "se a cidade não tomar conta desse Bosque logo não sei no que vai se transformar isso".

A iluminação foi ligada na noite de sábado (8), mas, Solano ressaltou que não se trata de uma ação de Natal, e sim "um dos passos para a conscientização da retomada do Bosque como um lugar lúdico, um espaço familiar e de cidadania", embora os enfeites sejam natalinos, devido à época.

POPULAÇÃO DO BOSQUE

A luz sob o Bosque, tido como desvalido e infausto por conta de sua "população", os moradores de rua, torna visível quem costuma ser invisível. "E aí tudo bem?", questionou a reportagem aos rapazes sentados na mureta do Bosque. "Estamos jogados na rua, né", respondeu Fernando.

"Colocaram umas luzes, ficou bom para quem frequenta direto", disse o morador. Com Fernando, estava o simpático, Alessandro, 34, que questionou à jornalista: "O que passa pela sua mente de vir conversar com a gente?"

Londrinense, Alessandro morou por um tempo nas favelas do Rio de Janeiro. "Morei lá temporariamente, fui arriscar. Sai daqui ruim e voltei pior. Só não passei necessidade porque tive quem me ajudou, mas para fazer vida não deu certo", contou.

Ele lembrou que aos 20 anos, "estava num mar de rosas". "Olha aqui com 34 hoje, as coisas mudam", lamentou.

O pároco, contudo, disse a que a ideia da iluminação foi "mais do que iluminar os invisíveis". "Se você fica em frente ao bosque em uma manhã toda, você vai ver o que acontece", disse. Solano disse que espera que a decoração produza mais do que noites tranquilas no Bosque. "Que Londrina tome consciência de que o Bosque não pode ficar do jeito que está. Todo mundo julga os pombos como os piores, mas se você entrar no Bosque, além de pombos tem coisas mais perigosas e abandono".

Solano disse que a decoração não tem vigilância e lembrou que a Catedral também montou um presépio com materiais recicláveis, idealizado pela artista Márcia Pedriali. "Muito bom. Foi feito pelas crianças com síndrome de down, muito bonito e significativo".

mockup