Catedral de Curitiba estréia hoje novo sistema de relógios e sinos
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sexta-feira, 31 de julho de 1998
Anna Camanducaia 
O sistema computadorizado Maestro, que comanda os dois novos relógios e os quatro sinos da Catedral Metropolitana de Curitiba, começa a funcionar hoje. O lançamento será feito na missa das 18h. Esta é a primeira vez, em 109 anos, que a torre direita terá um relógio em funcionamento. O projeto inicial da Catedral previa um barômetro, que nunca foi instalado.
O Maestro é o sistema mais sofisticado do mundo. O de Curitiba é o primeiro a ser instalado no Brasil. Fabricado pela indústria portuguesa Serafim da Silva Geronimo Ltda, tem variação de horário de um a três segundos por ano, capacidade para armazenar dados por 20 anos em caso de falta de energia, toques com quatro notas musicais a cada 15 minutos (o mesmo toque da Abadia de Westminster, em Londres), e toques personalizados, para casamentos, batizados, funerais e chamadas para missas.
Todos os dias, das 22h às 7h, o sistema suspenderá os sons de carrilhão, que normalmente tocam de 15 em 15 minutos. O antigo relógio, de fabricação brasileira, era rudimentar e atrasava dois minutos por mês. O sistema permitia tocar apenas uma nota musical por quarto de hora, segundo o responsável pela mudança da Catedral, o relojoeiro Fernandino Moreira da Costa.
O novo sistema tem capacidade para 150 toques encadeados e 450 melodias. Como a Catedral tem apenas quatro sinos, terá cerca de dez toques. À medida em que ela instalar mais sinos, poderá ter mais toques, explica Costa. Por controle remoto, o pároco poderá determinar o toque de três opções. Todos os toques serão demonstrados depois da missa de hoje. Agora, Curitiba tem um toque digno de uma catedral, comemorou Costa.
Antes, além de produzir sons mais fracos, os sinos estavam abalando a estrutura da torre da Catedral. Os sinos eram comandados por um sistema elétrico, tocavam sempre do mesmo jeito. Com o novo sistema, o problema foi anulado.
A fábrica portuguesa, responsável pelas mudanças da Catedral, está estudando a possibilidade de desenvolver hardware e software para conectar os relógios da igreja ao relógio atômico do Observatório Nacional do Rio de Janeiro ou de Frankfurt (Alemanha). Com a ligação, não haveria a variação anual de um a três segundos e a mudança do horário de inverno para o de verão seria feita automaticamente. Hoje, tem que ser programada.
A reforma do sistema da Catedral envolveu 20 pessoas e durou três meses, desde a retirada do antigo relógio até a instalação do novo sistema. O relógio que estava na torre esquerda há pelo menos 50 anos, segundo o funcionário da Catedral Claudinei Cezar Diana, foi retirado e restaurado para ser incorporado ao patrimônio da igreja. Durante o mês de agosto, ele estará em exposição no Edifício Everest. Em setembro, retornará à Catedral, onde poderá ser apreciado permanentemente.


