Catanduvas cobra recursos do governo federal
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sábado, 23 de junho de 2007
Evandro Fadel<br>Agência Estado 
Catanduvas - Um ano depois da inauguração da primeira Penitenciária Federal, a população e o poder público de Catanduvas (Oeste do Paraná), ainda aguardam a contrapartida que teria sido prometida pelo governo federal. ''Por enquanto, temos só o ônus'', reclama o secretário municipal de Planejamento e Finanças, Olandir Ribeiro da Silva. O comércio não sentiu a esperada injeção econômica: a maioria dos 240 agentes penitenciários, que têm salários em torno de R$ 4,7 mil, preferiu morar em Cascavel, a 50 quilômetros. E lá investe o que ganha.
De olho na decepção do comércio local, o diretor do Sistema Penitenciário Nacional, Wilson Damázio, disse que cuidados serão tomados para que as próximas penitenciárias federais sejam instaladas em cidades com ''maior potencial''. Além de Catanduvas, já há outra funcionando em Campo Grande (MS) e outras três em construção em Mossoró (RN), Porto Velho (RO) e Cachoeiro do Itapemirim (ES). Em uma segunda etapa, cada Estado terá uma penitenciária federal. ''Estudamos para que sejam instaladas em cidades com maior estrutura'', ressaltou. Segundo ele, esse problema impediu que os agentes morassem em Catanduvas.
No entanto, a prefeitura quer uma retribuição. Segundo o secretário, municípios vizinhos não queriam a penitenciária, mas Catanduvas doou o terreno, recebendo a promessa do então ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, de que viriam recursos para infra-estrutura e criação de renda, incluindo uma faculdade. ''Já apresentamos projetos dentro do que foi prometido, mas alguns ministérios responderam que não tinham recursos disponíveis'', disse. ''Nós continuamos cobrando.''
Com 13 mil habitantes, o município tem arrecadação mensal de R$ 500 mil. Segundo Silva, uma das promessas era de que os agentes morariam no município. Foi sonhando com isso que Salésio Batista fechou o comércio que tinha no vizinho município de Três Barras e mudou-se, em março do ano passado, para Catanduvas, onde instalou a Sibara Móveis, pagando aluguel de R$ 800. ''Quando estavam fazendo o presídio dava até R$ 50 mil por mês'', disse. ''Agora é dia 15 e não entrou nem R$ 5 mil.'' Ele já se prepara para baixar as portas.
Num dos bares da cidade, um cliente que não quis revelar o nome reclama da especulação das pessoas que tinham imóveis para alugar - que não eram muitos na cidade -, o que acabou afugentando os agentes. ''Eu pago R$ 250 de aluguel numa casa que foi alugada para dois agentes por R$ 800. Ficaram só dois ou três meses.''
No Cartório de Registro de Imóveis, a informação é de que tudo continua igual. ''Praticamente nenhum registro no ano todo'', salienta a funcionária. Sobrou também para Júnior Santin, proprietário da G. Santin Materiais de Construção. ''Tinha expectativa de crescimento, com a vinda de pessoas de fora, mas não aconteceu nenhuma novidade.''
O diretor do Sistema Penitenciário registra, no entanto, que tem ajudado. São destinados, por ano, R$ 1,2 milhão ao setor de saúde para que também dê respaldo às necessidades da penitenciária. ''Também abastecemos os carros aqui e há vários contratados para a lavanderia, a alimentação e a limpeza'', ressalta.


