Os catadores de papel de Curitiba vão ter noções básicas do novo Código de Trânsito Brasileiro. A presença assídua desses trabalhadores da economia informal pelas ruas da cidade está gerando conflitos com motoristas impacientes. Proibidos de transitar com seus carrinhos pelas calçadas, os catadores têm como única saída as ruas, partilhadas com automóveis e caminhões.
‘‘Estamos fazendo um trabalho em parceria com a Fundação de Assistência Social (FAS) para colocar em prática orientações sobre as leis de trânsito e buscar uma sinalização melhor desses carrinhos’’, confirmou o diretor-geral da Diretoria de Trânsito de Curitiba (Diretran), Kasuo Sakamoto. A campanha deverá ter a participação da Polícia Militar. ‘‘Vamos realizar cursos de direção defensiva para os catadores para trazer mais segurança ao trânsito’’, disse o encarregado do Comando do Policiamento da Capital (CPC), coronel Justino Henrique de Sampaio Filho.
Rufino: ‘‘Já levei baque de carro, mas ainda bem que não foi forte’’Por intermédio do Batalhão de Polícia de Trânsito (BPTran), poderá existir um esquema alternativo de rotas para os catadores de papel transitarem sem correr risco de vida ou provocar congestionamentos. ‘‘Tentaremos estabelecer rotas de circulação para eles poderem trabalhar’’, informou o comandante do BPTran, major José Antônio Pereira. Nas ruas de Curitiba circulam cerca de 3.500 catadores de papel, de acordo com a FAS.
Servente de pedreiro nas horas vagas, José Clair Fiúza, 27 anos, há três na profissão de catador de papel, carrega a filha Veridiana, de 6 anos, dentro do seu carrinho. ‘‘É difícil transitar na cidade, tem que andar com muito cuidado, ainda mais que eu tenho de carregar minha filha junto’’, diz José. Ele acha que o novo código melhorou a vida dos catadores porque os motoristas reduziram a velocidade nas ruas.
A Avenida Affonso Camargo, nas proximidades da Rodoferroviária, é considerada um dos pontos mais perigosos para os catadores de papel. ‘‘Sei que não posso furar sinal ou subir na calçada, mas se seguir a lei não saio do lugar e não posso trabalhar’’, alegou José Ricardo da Silva, 40 anos, há oito na profissão de catador.
Considerando-se ‘‘experiente’’, Wanderlei Rufino de Oliveira, 25 anos, não afasta o medo de ter seu carrinho atingida por trás enquanto trabalha. ‘‘Já levei baque de carro, mas ainda bem que não foi forte’’, recordou.

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