Os catadores de lixo do município de Jacarezinho completam hoje nove dias sem trabalhar no aterro sanitário por causa da proibição da prefeitura. A medida afetou 15 pessoas que trabalhavam na área e impediu o recolhimento de detritos no local. Segundo eles, as cestas básicas oferecidas pela prefeitura não são suficientes.
Eles reclamam que não tiveram tempo de se adaptar às medidas da prefeitura e que não tem condições de abastecer suas famílias até a próxima cesta básica. ‘‘Até o mês que vêm como vamos alimentar nossos filhos’’, lamentou a catadora Rosimeire Amaro. Assessores da prefeitura admitiram que a situação é precária, mas garantiram que o município tomou todas as medidas cabíveis para tentar amenizar a situação da famílias.
O catador de lixo Amilton Rodrigues dos Santos não concorda com os assessores e afirma que os alimentos não são suficientes. Ele comenta que a única medida tomada pela prefeitura foi encaminhar os catadores de lixo para o Sistema Nacional de Emprego (SINE) e oferecer as cestas básicas. ‘‘De uma hora para outra tiraram nosso sustento e não ofereceram nenhuma alternativa de geração de renda’’, disse.
A catadora Cleuza Pedrosa dos Santos comenta que o pessoal tem procurado trabalho no corte de cana, mas alega que o serviço está escasso por que as equipes de trabalho já estão completas. Segundo ela a situação é precária e deve se agravar na próxima semana.
Os trabalhadores concordam com a possibilidade de contaminação por doenças e acidentes, mas alegam que não tem alternativa. A catadora de lixo Natividade Aparecida dos Santos está parada há cerca de dois meses. Ele conta que perfurou sua mão enquanto trabalhava na coleta. Natividade Santos explica que foi contaminada por uma agulha de hospital que penetrou em sua pele.
A prefeitura alega que ofereceu toda a assistência necessária, mas os catadores não estão convencidos e querem uma solução emergencial. O chefe de gabinete da prefeitura, Homero Pavan Filho, disse que a retirada dos catadores do ‘‘lixão’’ de Jacarezinho foi uma medida exigida pela Superintendência de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental (Suderhsa).
‘‘A prefeitura tomou todas as medidas possíveis e vai sugerir a criação de uma cooperativa para aproveitar a mão-de-obra dos catadores’’, disse Pavan Filho.

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