Catadores reclamam da concorrência
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quinta-feira, 25 de março de 1999
Silvana Leão 
Um grupo de aproximadamente 20 catadores de papel fez uma manifestação ontem de manhã contra a adoção de coleta seletiva de lixo em Londrina, que reduziu pela metade o volume de material (papel, papelão, latas e galões plásticos) recolhido nas ruas. De acordo com os manifestantes, há mais de 500 catadores no município. Eles estão propondo uma parceria com a Autarquia Municipal do Ambiente (AMA), que permitiria a retirada de circulação dos caminhões coletores.
Antes de ser implantado o sistema, a gente conseguia arrecadar uma média de 300 quilos de papel por dia. Agora, trabalhando muito, conseguimos uns 150 quilos, reclama Eugênio Santos de Araújo. Ele trabalha como papeleiro há 20 anos e garante que, até seis meses atrás, sempre ganhou o suficiente para sustentar a mulher, cinco filhos e ainda pagar aluguel.
Segundo o proprietário do Depósito de Papel Londrina, Paulo Pereira, um dos 30 existentes na cidade, era comum pagar até R$ 120,00 por semana para alguns catadores. Hoje em dia, diz ele, este valor não passa de R$ 40,00.
A gente sabe que a prefeitura doa todo o volume de papel recolhido. Mas será que é justo tirar da gente para dar para outros?, questiona Eugenio, que é também um dos fundadores da Associação dos Catadores de Papel de Londrina (Acaprel). O papeleiro admite que muitos utilizam o carrinho para facilitar furtos e até para dormir pelas ruas. Mas a maioria é pai de família, assegura.
Os catadores de papel lembraram que, embora não tenham se manifestado no início, este foi o primeiro movimento contra uma situação que está gerando sérias dificuldades entre eles. Nós vamos esperar uns dias. Se a AMA não procurar a gente, vamos fazer nova manifestação em frente à prefeitura, reunindo um número muito maior de papeleiros, avisam.
O coordenador do Programa de Coleta Seletiva da AMA, José Paulo da Silva, tem outra explicação para a redução no volume de material coletado pelos papeleiros: o aumento significativo de catadores ultimamente. A coleta seletiva é feita apenas em residências, e a área de atuação dos papeleiros é basicamente o setor comercial. Acontece que a concorrência entre eles aumentou muito.
Segundo José Paulo, a AMA nem permite a atuação dos papeleiros em áreas residenciais, pois há muita reclamação de que eles abrem os sacos de lixo e dificultam os trabalhos de limpeza, além de ser um ato que coloca em risco a saúde
O coordenador também esclareceu que o Programa de Coleta Seletiva prevê, desde o início, a inclusão dos catadores de papel (em 96 a AMA chegou a doar 25 carrinhos para a Acaprel, além de camisetas que serviriam de uniforme). Para participarem do programa, porém, eles precisam se organizar em forma de cooperativa, a exemplo de duas já existentes, que trabalham com materiais recicláveis resultantes da coleta de lixo urbano.


