Catadores preferem ficar no local
Catadores preferem ficar no local
Marcos NegriniPaulo Roberto Tavares, 38 anos, e José Bento, 44 anos: 20 anos trabalhando juntos no lixãoVereadores e técnicos da Prefeitura de Maringá visitaram o lixão esta semana e prometeram aos 130 separadores de lixo que trabalham no local por contra própria que eles seriam aproveitados nas usinas de reciclagem. A idéia do vereador Décio Sperandio (PDT) é criar uma associação para que esses trabalhadores possam se organizar.
Os separadores de lixo não acreditaram nas promessas dos políticos. João Batista da Silva, 43 anos, há 10 no lixão, mantém sua família com o que recebe por dia: entre R$ 5,00 a R$ 10,00, dependendo da quantidade de lixo que chega nos caminhões. Por dia, são despejadas 230 toneladas de lixo no local.
O filho de alemães Ermundo Iockmann, 60 anos, mora durante cinco dias da semana no lixão, num barraquinho de madeiras e lona. Só vou pra minha família no final de semana. Vivo aqui entre ratos e urubus e moscas, reclama.
Na verdade, nenhum deles quer sair do lixão. Diariamente empresas de Maringá vêm buscar o lixo já separado, em caminhões. Os trabalhadores se dividem entre separadores de papel e papelão (R$ 0,05 o quilo), vidros e plásticos (R$ 0,07 o quilo), sucata (R$ 0,02 o quilo) e alumínio (R$ 0,40 o quilo). Ninguém usa luvas ou máscaras. O contato com o lixo é direto.
Paulo Roberto Tavares, 38 anos, tem uma pequena usina de reciclagem de papel e papelão. Há 20 anos ele compra o lixo separado por José Bento, 44 anos. Os dois garantem que nunca contraíram doença no lixão. Tem 20 anos que não vou a médico e nem a dentista, diz José Bento. Eu já não sinto cheiro de nada. Hoje pra mim cheiro é tudo a mesma coisa, afirma Paulo.
Outro desempregado, Valdomiro do Prado, 51 anos, é pedreiro, motorista e eletricista, mas tem que trabalhar no lixão.





