Curitiba - Os catadores de material reciclável, que ocuparam um imóvel do Instituto de Desenvolvimento Educacional do Paraná (Fundepar) - autarquia ligada à Secretaria de Estado da Educação, na Cidade Industrial de Curitiba (CIC), decidiram permanecer no local até que o governo providencie um espaço para eles trabalharem. Uma reunião, na manhã de ontem, tentou por fim ao impasse, mas não houve acordo.
A presidente da Associação de Catadores de Material Reciclável Novo Amanhecer, Maria de Lurdes de Souza Andrade, disse que o imóvel está abandonado e que um grupo de mulheres fez ontem a limpeza do local para iniciar os trabalhos a partir de hoje. ''Nós não podemos ficar na rua. Nós esperamos que ele (o governador Roberto Requião) dê um jeito de olhar por nós que somos uma classe de trabalhadores.''
De acordo com Joaquim Silva Maciel, representante do Centro de Apoio aos Catadores de Materiais Recicláveis, as famílias ocuparam o imóvel, na última quinta-feira, depois de terem sido despejadas do local onde trabalhavam, um depósito a cerca de 2 km da Fundepar, porque não conseguiam pagar o aluguel de R$ 500,00.
Durante o feriado, a direção da Fundepar não tomou nenhuma medida judicial para retirar os catadores do local. Ficou acertado que as famílias poderiam permanecer acampadas no terreno até o final da reunião de ontem. Mas, segundo Maciel, os catadores pretendem permanecer no local. ''As famílias querem continuar lá até as últimas consequências. O lugar é ideal, tem dois barracões. Um pode continuar com a Fundepar e o outro pode ficar para os catadores trabalharem'', disse. As famílias fazem parte da Associação de Materiais Recicláveis Novo Amanhecer, que reúne trabalhadores dos bairros CIC e Fazendinha.
Segundo a Fundepar, no local funciona uma estrutura de logística do instituto, para distribuição de merendas e equipamentos escolares. De acordo com representantes dos catadores, a Fundepar teria prometido ingressar com ação judicial de reintegração de posse. Até o final da tarde de ontem, a assessoria de imprensa da secretaria não deu retorno sobre o posicionamento do órgão.

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