Catadores improvisam para separar lixo
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quinta-feira, 05 de julho de 2001
Érika Pelegrino De Londrina 
Conseguir um local para trabalhar na separação de materiais recicláveis é o maior empecilho enfrentado pelos catadores de lixo em Londrina. Há dois meses eles estão sendo orientados pela Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), com apoio do Projeto Londrina 1000 ONGs, a deixar as ruas e se organizar em grupos. Atualmente Londrina já conta com oito organizações não-governamentais (ONGs) que ainda esbarram na falta de um local apropriado para desenvolver seu trabalho.
Sem dinheiro para pagar aluguel, muitas ONGs optaram por improvisar barracões com madeira e lona em terrenos particulares ou do município.
É o caso do grupo Esperança, liderado pela ex-catadora Verônica Cardoso, que conta com cerca de 20 moradores da Vila Marísia, na zona leste. Eles estão trabalhando provisoriamente num barracão de lona em terreno público, mas já conseguiram uma área particular emprestada e em breve devem se mudar, segundo o ex-catador Nelson Ferreira dos Santos.
O grupo é o que está melhor estruturado. Para driblar a pouca quantidade de lixo a coleta seletiva ainda não está implantada na cidade toda e o fato de a população colocar junto ao material reciclável muito lixo não reaproveitável, o grupo já começou uma campanha na região onde mora. Segundo Verônica Cardoso, no próximo dia 19 a população fará sua primeira entrega de material reciclável no barracão da ONG Esperança.
Estamos esperando dois mil quilos, afirmou Verônica. A ONG fez também uma parceria com a indústria de papel Sonoco, que cedeu um caminhão para fazer a coleta seletiva direcionada à ONG. A rota ainda está sendo definida, disse Verônica. A empresa cedeu também madeira para as mesas de separação do lixo e em troca vamos mandar todo o papelão para eles, afirmou Nelson Ferreira dos Santos.
O grupo da invasão San Rafael, também na zona leste, é outro que está trabalhando improvisadamente em um barracão de madeira e lona. Já estamos no terreno há dois anos. Agora com o incentivo da prefeitura o trabalho vai ser mais fácil, disse Reginaldo de Paulo Teodoro. Eles começaram a montar o barracão no início da semana. São 29 pessoas trabalhando na ONG.
Segundo Reginaldo Teodoro, como ainda é pouca a quantidade de lixo distribuída pela prefeitura, 15 catadores continuam com seus carrinhos recolhendo lixo nas ruas da cidade. Com o tempo queremos que todos os catadores trabalhem só na separação do lixo, afirmou Reginaldo Teodoro.
A idéia é conseguir com a venda do material reciclável o dinheiro para alugar um barracão de alvenaria. A ONG Aparol, da região oeste, liderada por Joel Vitório, foi uma das primeiras a conseguir alugar um barracão. A princípio, segundo ele, o grupo correu o risco de ficar sem o local já que o proprietário queria desistir do negócio.


