Os catadores de material reciclado que circulam pelas ruas de Londrina estão organizando uma cooperativa para melhorar as condições de trabalho, ampliar o processo de reciclagem de lixo na cidade e principalmente garantir os direitos constitucionais. Paralelo ao projeto, está sendo preparado um pedido de reconhecimento da profissão, que será encaminhado à Câmara de Vereadores.
Os últimos acertos foram discutidos ontem, entre os representantes de 30 Organizações Não Governamentais (ONGs) que participarão da cooperativa (abrangendo inicialmente cerca de 330 pessoas) e da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU). ‘‘Vamos oferecer um serviço de apoio, que contará com quatro caminhões, barracão, maquinários e assistência jurídica, administrativa e social aos cooperados. Em troca, a cidade terá mais lixo reciclado e principalmente pessoas com melhor qualidade de vida’’, explicou o coordenador de Coletas da CMTU, José Paulo da Silva, destacando que três caminhões e três prensas já auxiliam as ONGs na coleta e processamento do material reciclável. Os equipamentos são usados por um sistema de rodízio.
Das 380 toneladas de lixo domiciliar produzidas diariamente em Londrina, apenas 50 toneladas são recicladas pelo grupo. Com a criação da cooperativa, prevista dentro dos próximos 30 dias, os organizadores esperam dobrar a coleta e garantir uma rentabilidade pelo menos 50% maior que a atual. A oferta de equipamentos aos catadores elimina o atravessador e garante maior volume de material na hora da venda. ‘‘Poderemos finalmente vender para uma fábrica de alumínio, que só compra 10 toneladas por vez. Triturando as garrafas de plástico ‘pet’, elas passarão de R$ 0,30 para R$ 0,60 o quilo reciclado’’, exemplificou Silva.
De acordo com levantamentos da Secretaria de Ação Social, há entre 700 e 800 catadores nas ruas da cidade. A intenção da CMTU é integrar essas pessoas nas ONGs, eliminar a circulação delas durante a noite e nos finais de semana. Com excessão dos ‘‘autônomos’’, a maioria dos grupos trabalha entre 8 e 18 horas.
Os cooperados terão que eliminar o trabalho infantil, várias vezes identificado entre os ambulantes, e recolher Previdência Social. Com isso estarão garantidos seguro contra acidentes e aposentadoria, entre outros. O pedido para oficializar a profissão, que será encaminhado aos vereadores nas próximas semanas, tem como modelo os projetos aprovados em São Paulo e Belo Horizonte (MG), onde os catadores já estão regularizados.

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