Catadores formam associação para separar recicláveis
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segunda-feira, 21 de maio de 2001
Érika Pelegrino De Londrina 
Inseguros, mas apostando em uma melhora na condição de trabalho, 40 catadores de papel que atuavam nas ruas da região central de Londrina começam hoje a trabalhar na separação de lixo reciclável na Fazenda Refúgio, na zona sul. Eles criaram uma organização não-governamental, a ONG Central, para mudar a atuação na coleta de lixo reciclável. O objetivo é de futuramente reunir 70 catadores na ONG Central.
A idéia, fomentada pela Companhia Municipal de Transporte e Urbanização (CMTU), é fazer com que os catadores de lixo, organizados em ONGs ou associações, deixem aos poucos o serviço de coletar material nas ruas e trabalhem separando o lixo recolhido pelo município. A princípio, além dos 40 catadores que trabalharão na Fazenda Refúgio outros 15 cadastrados na CMTU continuarão a fazer o trabalho de rua em dois setores. O caminhão da coleta seletiva não passará nestas áreas.
Segundo o coordenador do projeto Londrina 1000 ONGs, professor Durvalino Biliato, que está coordenando os grupos de catadores, o material que os trabalhadores separarem na Fazenda Refúgio será vendido por eles. Futuramente, estes catadores farão cursos para aprender a operar máquinas de transformação de lixo em vassouras, camisetas, mangueiras e outros produtos.
Para formar as ONGs, os catadores recebem cursos e apoio da CMTU. No último sábado, 78 pessoas participaram do primeiro curso, debateram a questão do lixo de Londrina e conheceram a experiência de catadores de outros municípios. Segundo Durvalino Biliato, no dia 2 de junho será realizado outro curso de formação.
Ontem os catadores que fazem parte da ONG Central reuniram-se na Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel) para tratar dos últimos detalhes antes de iniciar o trabalho na Fazenda Refúgio. O clima era de expectativa e desconfiança.
Apesar de apostarem no sucesso da ONG, a mudança deixou os catadores apreensivos. Ciça Campos Pompeu, 23 anos, há seis meses coletando lixo nas ruas de Londrina, resumiu o sentimento da maioria. Nosso medo é que não cumpram o que estão prometendo. Estamos acostumados a nos dar mal, afirmou.
Segundo ela, a idéia inicial dos catadores era de fazer um protesto para tirar os caminhões de coleta seletiva das ruas, já que a concorrência estava diminuindo os ganhos deles. Apesar do receio, eles apostam em uma melhora na condição de vida. Se tudo der certo vamos sair das ruas e ter um local para trabalhar. Isto vai ser muito bom, afirmou Zilda Oliveira Almeida, 42 anos.
Os catadores da região norte já se organizaram em ONG também. Eles criaram a Reciclando o Cincão, que está em fase de estruturação.


