Inseguros, mas apostando em uma melhora na condição de trabalho, 40 catadores de papel que atuavam nas ruas da região central de Londrina começam hoje a trabalhar na separação de lixo reciclável na Fazenda Refúgio, na zona sul. Eles criaram uma organização não-governamental, a ONG Central, para mudar a atuação na coleta de lixo reciclável. O objetivo é de futuramente reunir 70 catadores na ONG Central.
A idéia, fomentada pela Companhia Municipal de Transporte e Urbanização (CMTU), é fazer com que os catadores de lixo, organizados em ONGs ou associações, deixem aos poucos o serviço de coletar material nas ruas e trabalhem separando o lixo recolhido pelo município. A princípio, além dos 40 catadores que trabalharão na Fazenda Refúgio outros 15 cadastrados na CMTU continuarão a fazer o trabalho de rua em dois setores. O caminhão da coleta seletiva não passará nestas áreas.
Segundo o coordenador do projeto Londrina 1000 ONGs, professor Durvalino Biliato, que está coordenando os grupos de catadores, o material que os trabalhadores separarem na Fazenda Refúgio será vendido por eles. Futuramente, estes catadores farão cursos para aprender a operar máquinas de transformação de lixo em vassouras, camisetas, mangueiras e outros produtos.
Para formar as ONGs, os catadores recebem cursos e apoio da CMTU. No último sábado, 78 pessoas participaram do primeiro curso, debateram a questão do lixo de Londrina e conheceram a experiência de catadores de outros municípios. Segundo Durvalino Biliato, no dia 2 de junho será realizado outro curso de formação.
Ontem os catadores que fazem parte da ONG Central reuniram-se na Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel) para tratar dos últimos detalhes antes de iniciar o trabalho na Fazenda Refúgio. O clima era de expectativa e desconfiança.
Apesar de apostarem no sucesso da ONG, a mudança deixou os catadores apreensivos. Ciça Campos Pompeu, 23 anos, há seis meses coletando lixo nas ruas de Londrina, resumiu o sentimento da maioria. ‘‘Nosso medo é que não cumpram o que estão prometendo. Estamos acostumados a nos dar mal’’, afirmou.
Segundo ela, a idéia inicial dos catadores era de fazer um protesto para tirar os caminhões de coleta seletiva das ruas, já que a concorrência estava diminuindo os ganhos deles. Apesar do receio, eles apostam em uma melhora na condição de vida. ‘‘Se tudo der certo vamos sair das ruas e ter um local para trabalhar. Isto vai ser muito bom’’, afirmou Zilda Oliveira Almeida, 42 anos.
Os catadores da região norte já se organizaram em ONG também. Eles criaram a ‘‘Reciclando o Cincão’’, que está em fase de estruturação.

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