Catadores 'fazem a festa' na Expo
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quarta-feira, 13 de abril de 2005
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
O catador de material reciclável Juscelino Nascimento, 33 anos, tem novo endereço desde 7 de abril. Para obter lucro e não perder tempo, ele está morando no Parque Governador Ney Braga durante os 11 dias da 45 Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina. A mudança de endereço é para aproveitar cada minuto para recolher o maior número possível de latinhas de alumínio. Pelo menos por enquanto, a estratégia tem dado resultado. A renda diária aumentou, para a alegria do trabalhador que sobrevive dessa atividade desde o ano 2000.
''O ano passado tava melhor. Tem muita gente catando agora. E também é menos dinheiro que corre. Mas dá pra tirar uns R$ 17,00 R$ 18,00 por dia'', contabilizou. A exemplo do lucro, o trabalho também é compartilhado com a família. A esposa Cleusa Dias, 46, também faz parte da equipe de reciclagem. A segurança da casa na Vila Recreio (Área Central) está por conta da sogra de Nascimento nos dias da feira.
O casal faz parte do grupo de 50 pessoas carentes selecionadas pela Sociedade Rural do Paraná (SRP) para trabalhar no recinto. Uniformizados, os catadores recolhem as latas de cerveja e refrigerante e vendem o quilo por R$ 3,00. A empresa recicladora paga R$ 0,70 a mais. A diferença fica com os encarregados da organização.
''Estamos tentando organizar (os catadores) para não virar bagunça. Assim queremos coibir que eles praticamente avancem nas latinhas e evitamos brigas entre eles'', explicou o encarregado pelo almoxarifado da Exposição, Marcelo Pieri. Ele estima que 300 quilos de latinhas são recolhidos diariamente pela equipe.
Este número, no entanto, deixa de fora os catadores não-organizados. É comum encontrar pessoas sem uniforme fazendo a coleta do material. Uma desempregada de 27 anos, que pediu para não ser identificada, está com um trabalho temporário em um dos estandes do parque. Após o expediente, ela também recolhe latinhas. ''Quero juntar pelo menos um dois quilos até a noite para conseguir um dinheirinho'', afirmou.
Pieri calcula que o total recolhido deve atingir 500 quilos por dia. Todo o material é vendido para uma empresa recicladora da Área Central, a única da cidade. Por outro lado, a organização não tem uma estimativa sobre o número de catadores ''informais.'' Mesmo atuando de forma regularizada, Juscelino Nascimento não critica a atuação dos concorrentes. ''A gente sabe mas finge que não vê que tem outras pessoas catando. A gente não liga porque sabe que eles também são gente sofrida, também precisam'', relevou.
Enquanto disputa espaço com a concorrência, ele tenta aceitar a injustiça social, conformado com a atual situação por falta de oportunidade de emprego formal. ''É assim mesmo, enquanto uns vão bebendo, os outros vão limpando e catando'', resignou-se.


