Marcos Zanatta
De Maringá
A administração do Cemitério Municipal de Maringá, o único público da cidade, teve que impedir a ação dos catadores de parafina ontem. Segundo o administrador, Valdemir José Miller, pelo menos 30 pessoas coletam parafina de velas derretidas todos os dias. ‘‘Com o desemprego e o Dia de Finados o número chega a dobrar’’, explica. Os catadores de parafina, segundo ele, estavam ‘‘incomodando’’ os visitantes. ‘‘O pessoal veio reclamar e nós chamamos eles aqui e prometemos liberar para depois das 20 horas’’, afirmou.
Os catadores são permitidos, segundo Miller, porque são pessoas que precisam do dinheiro que arrecadam e ajudam a limpar o cemitério. O cemitério de Maringá tem 18 mil túmulos e cerca de 48 mil sepultados em uma área de 10 alqueires. O túmulo mais visitado é de Clodimar Pedrosa Lô, morto aos 15 anos, em 1967, por dois policiais, depois de ser acusado de cometer um roubo que não praticou.
O cemitério público de Sarandi (7 quilômetros a leste de Maringá), foi aprovado pela população, depois de sair da área central para a periferia da cidade. A prefeitura retirou todos os mortos de uma quadra próximo ao centro, no início do ano, e transferiu os túmulos para o novo local, que ontem recebeu cerca de 25 mil visitantes. ‘‘Aqui parece mais um cemitério’’, observa a dona de casa Teresinha Francisca de Oliveira. Ontem foram realizados sete sepultamentos no cemitério da cidade. ‘‘No cemitério antigo tudo era muito espremido, não cabia mais ninguém’’, lembra ela.
Para o aposentado José Amancio da Silva Filho, o novo cemitério foi feito em um ‘‘lugar bom’’. Ele lembra que no local anterior, não tinha para onde crescer porque estava na zona comercial da cidade. ‘‘Aqui pode ir para todo lado, que é um lugar aberto’’, mostra. As pessoas mais novas também aprovam a mudança do cemitério. ‘‘Quando visitava o cemitério antigo pensava em pedir para não me enterrarem lᒒ, conta a professora Zulmira Rodrigues. A estudante Maria de Lurdes da Silva, que conheceu o local ontem, achou o lugar mais ‘‘apropriado’’.
Nos cinco cemitérios de Foz do Iguaçu, o movimento de visitação se concentrou à tarde. Choveu forte durante toda a manhã e, nesse período, o movimento ficou 70% abaixo do esperado. A missa que estava marcada para o Cemitério São João Batista, o maior da cidade, foi transferida para a Catedral. À tarde, o tempo permaneceu nublado, mas sem chuva. Até as 17 horas, a empresa Techagaú, que administra os cemitérios de Foz, não havia somado o número de visitantes.
As chuvas também reduziram sensivelmente o número de visitantes nos cemitérios de Cascavel, em relação ao esperado – a estimativa era de aproximadamente 65 mil pessoas, segundo a Acesc. O mais visitado foi o Central, maior de todos, com 25 mil sepulturas – no Guarujá, na zona oeste, são 6 mil e, no São Luiz (zona leste) 4,5 mil sepulturas. Vendedores de velas, flores e outros objetos ficaram decepcionados com o pequeno movimento. (Colaboraram Paulo Pegoraro e Valmir Denardin)As pessoas que recolhem parafina para vender só puderam trabalhar à noite
James NegriniJames NegriniO túmulo do rapaz Clodimar Pedrosa Lô, morto por policiais militares, foi o mais visitado de Maringá (acima). O novo cemitério público de Sarandi, construído na periferia da cidade, agradou a população (ao lado)

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