Dimitri do Valle
De Curitiba
A exemplo do programa ‘‘Seu lixo pode machucar’’, para evitar que os coletores da limpeza pública se machuquem com objetos cortantes, os catadores de papel de Curitiba também têm seus programas de coleta seletiva e segurança pessoal. Através da Cooperativa de Trabalhadores na Coleta de Materiais Recicláveis (Recoopere), eles recebem noções básicas de não subir no carrinho com o intuito de socar o material recolhido, noções básicas de trânsito e uso de luvas protetoras.
O diretor de Limpeza Pública da prefeitura, Nelson Xavier, considera que os catadores estão menos expostos aos riscos que os coletores. ‘‘Eles têm a chance de trabalhar mais devagar. O problema está na corrida que o coletor faz com o saco de lixo até o caminhão. Nessas horas, os objetos cortantes podem bater em sua perna e machucá-lo’’, descreve. Xavier diz que o material recolhido pelos catadores também é diferente daquele que os coletores trabalham. O diretor entende que o programa ‘‘Seu lixo pode machucar’’ também é estendido a proteção dos catadores e não apenas dos funcionários responsáveis pela coleta de lixo. A estimativa é de que cerca de 4 mil pessoas tiram o seu sustento do recolhimento de papel e lixo pelas ruas da cidade.
De acordo com o gerente da Recoopere, Claiton Vidal Hilgerd, os 240 catadores associados à entidade passam por um curso de segurança pessoal antes da filiação. A principal orientação repassada aos trabalhadores é como se portar no trânsito, evitando circular no meio da rua entre 17 horas e 20h30 para não serem atropelados ou atrapalharem o tráfego. Em três anos, a Recoopere, que iniciou as atividades em outubro de 1998, quer ter cerca de 3 mil associados.
Cerca de 200 catadores filiados à cooperativa iniciaram uma parceria em conjunto com a municipalidade para recolher material em condomínios. No programa Coleta Programada, os catadores podem se dirigir a 200 condomínios residenciais cadastrados para apanhar os materiais mediante definição de dia e horário. ‘‘Esse tipo de programação traz ao coletor a certeza de poder contar sempre com uma determinada quantidade de material, permitindo até mesmo um planejamento de seu orçamento’’, comenta a presidente da Fundação de Ação Social e do Instituto Pró-Cidadania, Marina Taniguchi.

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