Pelo menos para os catadores de papel, a sujeira dos candidatos foi favorável. Na noite de domingo já havia carrinheiros recolhendo o lixo eleitoral, logo depois que acabou a confusão da votação. Esse foi o caso do catador Renato Morais, 29 anos, que às 22 horas de anteontem tinha conseguido recolher 400 quilos de papel das ruas, que foram suficiente para render R$ 20,00. Ontem no meio da tarde, ele já tinha juntado outros 400 quilos, cem a mais que o normal.
Carrinheiro há seis anos, ele conta que o período eleitoral é um dos mais ricos para eles, por que representa uma receita extra, geralmente não esperada. ‘‘É como o Natal, quando as pessoas compram presentes e sobra bastante papelão e papel para vender’’, diz. ‘‘Por isso deveria ter eleições todos os anos’’, complementa o catador de papel Sadi da Silva, 26 anos.
‘‘As outras pessoas reclamam das eleições, mas para a gente que vive do papel ela é muito boa’’, comenta Sadi. Ontem, ele pretendia ganhar cerca de R$ 30,00, recolhendo 600 quilos de papel. Renato Morais conta que, para conseguir mais dinheiro no período pós-eleitoral, ele fez mais duas viagens, percorrendo, na sua avaliação, cerca de 50 quilômetros até o meio da tarde de ontem. ‘‘A gente tem que fazer um esforço para conseguir ter mais dinheiro’’.
‘‘O problema do papel das eleições é a qualidade. Os panfletos não são de material puro, como branco, que paga o dobro do normal’’, diz Renato Morais, afirmando que cada 100 quilos rende R$ 0,05. Renato afirma que o papel recolhido nas ruas sempre tem alguma impureza, como folha, barro e areia, o que deprecia o valor. ‘‘Mas o que mais atrapalha é o recolhimento pela Prefeitura, que varre todos os papéis e joga tudo no lixo, roubando o nosso ganha-pão’’.

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