Catadores de papel fazem passeata
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quarta-feira, 10 de dezembro de 2003
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
A comemoração ao Dia Nacional do Catador de Papel, celebrado ontem, reuniu representantes da categoria em uma carreata pelo centro de Londrina. Eles são membros das 22 organizações não-governamentais (ONGs) de reciclagem, espalhadas pelas cinco regiões da cidade, e se reuniram na Concha Acústica (área central), onde discursaram e participaram de um culto ecumênico.
Além de lembrarem a data, os catadores aproveitaram também para agradecer a população pelas mais de 80 mil toneladas de lixo reciclável arrecadadas este ano, em contraste com as 40 mil de todo o ano passado. Mesmo assim, afirmam, esse número poderia ser bem maior se mais moradores, especialmente os do Centro, contribuíssem com a coleta seletiva.
Quem afirma é Verônica Cardoso Costa, de 29 anos, presidente da Central de Pesagem e Venda (Cepeve), órgão que controla a prensa e a comercialização dos materiais coletados. ''Pelo menos 50% de todo o lixo dos prédios da área central vão para aterros sanitários'', conta. De acordo com ela, Londrina tem hoje pelo menos 1.500 catadores não organizados e 600 em ONGs que vendem o lixo reciclável para empresas especialmente as de papel da cidade e da região. ''A totalidade dessas pessoas vive exclusivamente da atividade e recebe, em média, de um salário mínimo (R$ 240) a R$ 300 por mês'', completa.
A informação ilustra bem o caso da catadora Ednéia Martins Mariano, 29. Há três anos, desempregada, ela entrou para uma ONG de coleta e reciclagem de lixo no Conjunto Saltinho (Zona Sul) e hoje é a única a sustentar a casa com quatro filhos. ''Ferro, plástico, garrafa e alumínio são apenas parte do que, hoje, garante o sustento lá de casa'', cita.


