Catadores de papel estão organizando associação
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segunda-feira, 17 de setembro de 2001
Gilmar Agassi (BR) De Cascavel 
Grande parte dos catadores de papel de Cascavel está se organizando na tentativa de formar uma associação para defender os interesses da categoria e, se possível, contribuir para um aumento na renda mensal. Durante algumas reuniões, organizadas pela secretaria municipal de Ação Social, os catadores de papel estão discutindo problemas enfrentados diariamente por eles e que precisam de uma rápida resolução.
Segundo a assistente social, Marilda Paviani, os catadores não têm os conhecimentos burocráticos do funcionamento de uma associação, mas querem ter maior representatividade para orientá-los tanto no trabalho como na defesa dos seus direitos. Ela informou que durante as reuniões estão sendo realizados treinamentos de capacitação e atividades didáticas e pedagógicas, além de técnicas de dinâmica de grupo ''visando a integração entre eles''. ''A associação pode trazer melhorias para os catadores e suas famílias'', explica.
Para Paviani, os catadores precisam desenvolver ''ações conjuntas e ainda um espírito de solidariedade e responsabilidade''. Ela acredita ser necessário que os catadores sejam aceitos pela sociedade para que consigam desenvolver suas atividades. ''Muitas dessas pessoas não são alfabetizadas e tem dificuldades para se comunicar. Se as pessoas não ajudarem, elas dificilmente conseguirão ter uma vida mais digna'', diz.
A assistente social ressalta que a longo prazo, com a associação, os catadores terão como comercializar seu próprio papelão com as indústrias de reciclagem. Atualmente, eles repassam a maioria do papel recolhido para o programa Ecolixo, entretanto a distância entre suas moradias e o barracão do Ecolixo inviabiliza o desenvolvimento do programa.
O desempregado Argemiro Mendes Pereira está há três meses catando papel porque não consegue emprego no setor de construção civil. Ele se diz favorável à criação de uma associação por considerar que, dessa forma, poderá aumentar sua renda que dificilmente passa de R$ 100,00, por mês. ''É muito difícil ganhar dinheiro catando papel. Eles pagam só sete centavos por quilo de papel. Desse jeito não dá'', reclama.
Outros conseguem uma renda mensal um pouco superior. É o caso de Vilson dos Santos que afirma conseguir ganhar até R$ 300,00, por mês, catando papel nas ruas. ''A gente se organizando seria bem melhor. Hoje o quilo de papelão é muito barato. Com uma associação podemos exigir algo melhor para todos'', conclui.


