Especial para a Folha
Foi oficialmente criada ontem a Cooperativa de Trabalhadores na Coleta de Materiais Recicláveis (Recoopere). A cooperativa pretende buscar melhores condições de trabalho e rendimento aos chamados carrinheiros, pessoas que recolhem material reciclável nas ruas de Curitiba, como papel e garrafas. Segundo informações da Prefeitura, hoje existem 4,8 mil carrinheiros na cidade. Segundo o presidente da cooperativa, Olivir de Souza Leal, ‘‘a cooperativa vai oferecer mais opções para os carrinheiros melhorarem de vida’’. Ele aponta um aumento na lucratividade de até 40% em relação às vendas por intermediários.
Hoje, a maior parte dos coletores vendem seus produtos para intermediários, empresas que compram o material reciclado e vendem para as fábricas. Nessa transação, o intermediário chega a comprar o quilo do material por 2 centavos, revendendo por até 15 centavos. Um coletor que recolha 4 mil quilos de papel por mês (média da categoria) poderia faturar R$ 600,00, mas só recebe R$ 80,00.
A sede própria que foi inaugurada ontem está equipada para a separação do lixo e o processamento do material recolhido, além de servir de referência para os associados. A Fundação de Ação Social (FAS) doou um caminhão, uma balança e uma prensa para beneficiar o material. A Prefeitura também ofereceu cursos para formação dos primeiros dirigentes e para conscientizar a categoria sobre a importância do cooperativismo. A cooperativa abre com 60 carrinheiros associados, número que, segundo o presidente, ‘‘deve aumentar bastante assim que os coletores conheçam os benefícios’’.
Muitos carrinheiros ainda se mostram inseguros sobre a cooperativa. Os poucos que já sabem da existência e ainda não se associaram afirmam ter dúvidas sobre as vantagens do trabalho cooperativado. Mas a grande maioria dos coletores ainda nem sabe da existência da cooperativa. É o caso de João Alves de Oliveira, 51 anos, que há dois anos faz coleta de papelão. Ele diz que nem sabia da existência da Recoopere. ‘‘Ninguém me falou nada de cooperativa’’. Pedro de Souza diz que seu irmão se associou à cooperativa, mas que duvida que as vantagens serão muitas. ‘‘Falaram que se ganha mais, mas eu acho que é tudo a mesma coisa’’. Pedro de Souza tem 24 anos e anda pelas ruas recolhendo lixo desde os 12 anos de idade.

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