Uma cena que prometia estar sepultada no passado do aterro sanitário de Londrina (Zona Leste) poderá ser vista novamente, caso não seja encontrada uma saída rápida para a crise financeira que castiga os coletores de material reciclável da cidade, que afirmam não conseguir suportar mais os baixos preços pagos pelos compradores. Parados desde ontem, trabalhadores dos 18 grupos associados à Central de Pesagem e Vendas (Cepeve) ameaçaram retomar o garimpo no aterro, porque o Município não acenou com ajuda e ainda decidiu fazer por conta própria a coleta do lixo nas casas.
A presidente da Cepeve, Sandra Araújo Barroso Silva, criticou ontem a iniciativa da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) de colocar os caminhões para recolher o lixo reciclável. ''Isso só serviu para castigar e mostrar que são mais fortes que a gente'', afirmou. Com isso, continuou Sandra, a CMTU ''continua empurrando o problema (dos recicladores) com a barriga''. ''Se eles têm condições de atender a população com a coleta por que então essa maldade com a gente de fazer o serviço mas levar tudo para o aterro? Estamos dispostos a voltar para lá. Para nós que estamos vivendo essa situação, vamos até ganhar tempo e economizar com isso porque não precisaremos ir mais para rua'', apontou. Os associados continuam em greve até amanhã à tarde, quando devem se reunir na sede da Cepeve para definir as próximas ações.
Sandra reclamou que desde novembro de 2004 a Cepeve vem buscando apoio e ajuda da Prefeitura mas nunca obteve sucesso. ''Eles sempre falam que não têm condições e que tudo é muito demorado. Só que os gastos que tinham com a coleta diminuíram muito com a nossa entrada'', analisou a representante da maioria dos cerca de 700 recicladores de Londrina. Uma forma de ajudar seria a CMTU intermediar a tomada de empréstimo bancário de pelo menos R$ 50 mil para que a Cepeve pudesse estocar o material coletado e pagar os associados. ''Assim, íamos conseguir nos manter até conseguir negociar preços melhores'', explicou.
A crise vivenciada pela Cepeve também atinge as organizações não-governamentais (ONGs) autônomas que atuam no comércio de material reciclável. Ontem, membros de duas ONGs da Zona Norte se reuniram com a coordenação da coleta seletiva na CMTU em busca de ajuda. Parados desde a última sexta-feira, quando protestaram interrompendo o trânsito na Avenida Leste-Oeste (Zona Oeste), eles aderiram à associação no final da tarde e decidiram continuar sem coletar material.
A desvalorização do material reciclável que acontece desde julho do ano passado atingiu níveis insustentáveis, segundo a Cepeve. O quilo da garrafa plástica que chegou a ser comercializado a R$ 1,40 não passa de R$ 0,45. Já o da lata de alumínio, que atingiu R$ 4,10, hoje não chega a R$ 2,50. O quilo do papelão, que era vendido a R$ 0,37, não supera os R$ 0,17 atualmente.

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