Catador de papel confessa homicídio
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sexta-feira, 11 de julho de 2003
Luciano Augusto<br>Reportagem Local 
O catador de papel Caulinho Vieira, de 39 anos, confessou ter matado o colega Anderson Aparecido dos Santos Silva, 20 anos. O crime aconteceu na manhã do dia 5 de julho, nas proximidades da Rua Rosa Branca, no Jardim Interlagos (zona leste de Londrina). Vieira foi preso ontem, depois de ter a prisão preventiva decretada. Ele disse ao delegado-operacional da 10 Subdivisão Policial (SDP), Pedro Maomé Machado, que Silva estava armado com dois revólveres. Depois de um desentendimento, ele teria conseguido desarmar a vítima e atirou para não ser morto.
O crime ocorreu numa viela que passa ao lado do muro que cerca a Escola Estadual Ana Molina Garcia. Vieira afirmou que conhecia Silva há apenas seis meses e que, há três semanas, havia vendido uma bicicleta para ele por R$ 40,00. O pagamento, entretanto, não teria sido feito.
No sábado, o catador de papel encontrou Silva que estava com a bicicleta momentos antes do crime. A vítima o teria convidado para acompanhá-lo até a Vila Santa Terezinha, onde pretendia comprar maconha. ''Pensei que ele queria conversar comigo para pagar a dívida'', comentou o catador.
Eles teriam seguidos juntos pela viela quando Silva teria sacado de um revólver calibre 38 e agarrado o braço do catador. Os dois teriam entrado, então, em luta corporal e Vieira teria conseguido tomar uma segunda arma que estava com vítima, um revólver calibre 32, e disparado. ''Depois, peguei o 38 e dei mais um tiro'', confessou o catador. ''Não estou arrependido, porque era eu ou ele'', falou.
A vítima, segundo apurou a Polícia, não tinha profissão definida e estava envolvida com o uso de drogas. Além disso, também estaria cometendo pequenos furtos na região do Jardim Monte Cristo, onde morava com a família.
Segundo o delegado, Vieira irá responder por homicídio qualificado, pois atirou no colega por motivo torpe. Embora o catador tenha ficado com as armas, ele não será autuado por latrocínio (roubo seguido de morte), uma vez que sua intenção não foi roubar as armas. Machado informou que o catador seria encaminhado para a carceragem do 2º Distrito Policial.
Vieira possui uma ficha criminal bastante extensa, com 33 passagens. Ele foi preso pela primeira vez em setembro de 1982, por furto. Somadas, suas condenações ultrapassam os 53 anos de prisão. O catador já foi condenado por latrocínio, homicídio, tráfico de drogas, roubo a mão armada e furto. Estava foragido da Colônia Penal Agrícola, em Piraquara (região metropolitana de Curitiba), desde o dia 8 de fevereiro deste ano.


