Catador ajuda gestantes há uma década
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segunda-feira, 28 de maio de 2007
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Quando uma vizinha bateu à sua porta querendo lhe entregar o filho recém-nascido porque não tinha condições de criá-lo, o catador de papel Valcuruci Jorge dos Santos, 45 anos, deu início a uma jornada mantida a duras penas até hoje. Ele recusou a proposta da mãe desesperada, mas em sua lida diária começou a juntar donativos para distribuir entre as grávidas mais pobres de Londrina. Um trabalho que, mesmo com toda a dificuldade, completa uma década este ano.
O catador teria todos os motivos para se preocupar apenas com a própria vida. É semi-analfabeto, não tem fonte fixa de renda, mora em um bairro carente da Zona Leste de Londrina. Mas nada disso o fez desistir de ajudar quem tem ainda menos do que ele. ''Acho que já ajudei umas cinco mil e seiscentas mulheres grávidas'', contabiliza. E olha que, muitas vezes, Santos precisa tirar dinheiro do próprio bolso. Foi assim com Thaís Luana Ramos da Silva, 20 anos, moradora do Jardim União da Vitória (Zona Sul). Há 2 semanas ela deu à luz Giovana, sua terceira filha, e quando o catador foi visitá-la, encontrou-a quase sem comida em casa. Ela não tinha sequer o gás para cozinhar os poucos alimentos de que dispunha.
''Não podia ver aquilo e não fazer nada. Comprei um botijão de gás e levei para ela'', falou, com os olhos marejados. Para suprir a despensa de mãe e filha, contou mais uma vez com o pessoal da Igreja Metodista Central: ''Eles sempre dão um jeito quando preciso de ajuda''.
A FOLHA visitou Thaís e a filha Giovana na semana passada. Desempregada, ela contou que vive sozinha desde que a mãe morreu há dois anos. Mesmo assim, ela diz que precisa ''só de uma cômoda para arrumar as roupinhas'' da filha e de fraldas.
O catador de papel confessou que está muito difícil conseguir doações depois dos escândalos de gestão fraudulenta envolvendo entidades que davam assistência a pessoas com câncer. ''Ninguém mais quer doar'', lamentou. Sua preocupação é não conseguir atender cerca de 40 gestantes que acompanha atualmente. ''Mas nunca vou desistir'', avisou o homem que nunca foi casado e, ''ainda'', não teve filhos.
Serviço - Quem puder ajudar o catador de papel doando móveis usados, roupas de bebê, cobertores, fraldas e alimentos, pode entrar em contato com ele pelo telefone (43) 9106-3251.


