O catador de papel Jair Pereira começou o dia de trabalho de maneira inesperada. Ele encontrou ontem por volta das 5 horas da manhã num terreno baldio, em Curitiba, cerca de 75 quilos de ‘‘explosivo gelatinoso’’. A quantidade do artefato abandonado seria suficiente para arrasar todo um quarteirão de uma cidade. Os explosivos estavam embrulhados em 57 unidades. O produto foi localizado na Rua Guabirotuba, na favela da Vila das Torres, quando Jair tentou recolher três caixas de papelão lacradas onde o material estava guardado. Surpreso quando percebeu que as caixas continham explosivos, Jair tratou de acionar a Polícia Militar.
Policiais do Grupo Anti-Bombas do Comando de Operações Especiais (COE) foram chamados para remover as caixas até o Quartel do Comando Geral da PM. Os explosivos foram levados numa caminhonete do COE para serem apresentados à imprensa. As embalagens de papelão informavam que os explosivos, da marca Powergel, foram fabricados pela empresa Explo, do Grupo ICI, com representações em São Paulo e Nova Iguaçu (RJ). Com bandidos, o material representaria um enorme poderio de fogo. ‘‘Em mãos erradas, isso poderia fazer um grande estrago’’, comentou o tenente da PM André Dorecki. Ele assinalou que não se sabe se os explosivos seriam usados para fins criminosos ou simplesmente abandonados por falta de regularização.
As três caixas do explosivo Powergel foram enviadas para a Delegacia de Armas e Munições, que deve providenciar a destruição. A inutilização dos artefatos deve ser acompanhada por especialistas em explosivos do Exército. De acordo com Dorecki, o material é ‘‘novo no mercado’’ e sucessor de um tradicional explosivo. ‘‘O Powergel representa a evolução da banana de dinamite’’, revelou Dorecki. O Powergel precisa de uma explosão primária para ser detonado e tem grande poder de destruição. É usado na detonação de paredões de pedra. O ar deslocado pela explosão é 4 mil metros por segundo.

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