Castramóvel começa a funcionar em Londrina
Unidade itinerante tem capacidade para atender até 40 animais por dia. O serviço será realizado no conjunto Aquiles Stenghel nesta sexta-feira e no sábado
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sexta-feira, 06 de março de 2020
Unidade itinerante tem capacidade para atender até 40 animais por dia. O serviço será realizado no conjunto Aquiles Stenghel nesta sexta-feira e no sábado
Laís Taine - Grupo Folha 
A Prefeitura Municipal de Londrina lançou, na manhã desta sexta-feira (6), os serviços do Castramóvel. A unidade itinerante realizará atendimento veterinário de cães e gatos previamente cadastrados pela prefeitura e tem capacidade para até 40 castrações ao dia. Os primeiros animais a serem contemplados são de moradores do jardim Flores do Campo, da zona norte da cidade, com atendimento realizado na praça do conjunto Aquiles Stenghel.
Segundo o secretário municipal de Saúde, Felippe Machado, os serviços são ofertados a animais semidomiciliados, ou seja, aqueles que tenham acompanhamento de um tutor no pós-operatório. “Nesse primeiro momento, os animais de rua não serão castrados até pelo risco pós-cirúrgico, que é mínimo, mas existe. Então, estamos fazendo um cadastro ativo, nossas equipes vão até os bairros em que o Castramóvel vai estar baseado e fazemos a análise dos domicílios que se enquadram nos critérios do Programa Municipal de Castração”, explica. O serviço irá beneficiar família sem situação de vulnerabilidade social, acumuladores, protetores voluntários e Ongs (Organizações Não Governamentais).

Neusa Barbosa, 43, levou a Shaya, cadela de 11 meses, a primeira da fila. “Eles passaram no meu bairro e depois eu fui até o posto e renovei meu cadastro. Mais tarde me ligaram avisando que estariam aqui e deram as orientações sobre como proceder com ela. Eu cheguei cedo, vim rápido”, relata a dona de casa. Esse é o único animal da família e a tutora conta que não teria condições de pagar pelo procedimento. “Tem gente que não tem condições, porque é caro. Por isso eu acho que é muito bom para a cidade toda, porque tem muito cachorro abandonado. Eu tenho uma só, mas cuido bem”, afirma.
Além do procedimento cirúrgico, o animal também passa por vacinação, recebe a medicação do pós-operatório e a microchipagem. Apesar de a unidade estar no bairro, a orientação é que as pessoas não levem os animais sem ter passado pelo cadastro. “Nós fazemos um trabalho prévio. Vamos antes, informamos quem vai ser contemplado para que no dia que o Castramóvel estiver baseado no bairro o animal tenha condição de ser operado”, afirma o secretário.
Informação que não tinha chegado até Flavia Camargo, que vive no bairro Ruy Virmond Carnascialli (norte) e levou a gata Mel para o procedimento. “Vim para castrar, mas informaram que é por região e tem um cadastro antes”, comenta. “Me falaram que a previsão é de um ano para a castração, é bastante tempo. Como faz o cadastro e demora um tempão assim?”, critica.
A presidente da Comissão dos Direitos e Bem-Estar Animal da CML (Câmara Municipal de Londrina), a vereadora Daniele Ziober, esteve na solenidade. “Esse é um projeto de controle de natalidade que vem sendo instaurado em diversas cidades do Brasil. É um método mais rápido de controle populacional por conta de estar nos bairros”, afirma. Ela comenta que há previsão para ampliação do serviço e que já existem mais dois Castramóveis pagos aguardando recursos para os atendimentos. Nesta primeira unidade, a prefeitura investiu R$ 100 mil na aquisição do trailer e R$ 1 milhão foi repassado por meio de emendas parlamentares à Clínica Veterinária Clinicão, responsável por executar o serviço.
O prefeito Marcelo Belinati falou sobre procedimentos discutidos em relação aos cuidados com os animais de Londrina. “É uma questão de amor aos animais, mas principalmente uma questão de saúde pública. Londrina ao longo dos anos não construiu uma política pública adequada nessa área e nós estamos criando o fundo, o conselho, discussões de pautas em relação aos animais, construindo um trabalho junto a Ongs, protetores e cuidadores. O Castramóvel faz parte desse entendimento global." Ele também comentou que o projeto do centro de zoonoses está caminhando para que ainda este ano possa dar início à licitação ou à obra em si.
Em pesquisa realizada entre 2014 e 2015, a UEL (Universidade Estadual de Londrina) identificou 192 mil cachorros em Londrina, equivalente a um cão para quatro habitantes, somando gatos, o número salta para 220 mil. O recomendado pela OMS (Organização Mundial de Saúde) recomenda um cão para cada sete pessoas. Ziober apontou também que existem aproximadamente 60 mil cães semi-domiciliados e abandonados em Londrina


