Arapongas - Após recolher e cuidar de cães e gatos abandonados nas ruas, as ONGs que desenvolvem trabalhos de proteção aos animais enfrentam alguns obstáculos para encontrar novos donos para os bichos. Um dos argumentos de quem fica em dúvida entre adotar ou não um animal é o temor de que ele venha a procriar e o custo da castração, entre R$ 150 e R$ 400. Em Arapongas e Rolândia, esse problema está sendo resolvido por um programa de controle de natalidade desenvolvido pelo Hospital Veterinário da Universidade Norte do Paraná (Unopar).
Cirurgias de castração de cães de gatos recolhidos pelas ONGs são realizadas uma vez por semana na sede do hospital, em Arapongas (Norte). ''Os procedimentos são realizados por alunos do 7º período do curso de Medicina Veterinária e acompanhadas por professores. Em contrapartida, as ONGs colaboram pagando parte do material utilizado na cirurgia'', informa o coordenador do programa e docente de Veterinária da Unopar, Bernardo Kemper.
Segundo ele, em média são realizadas quatro cirurgias todas as quartas-feiras. ''Desde que o programa foi implantado (há dois anos), mais de 200 animais já foram castrados. A cirurgia dura de 15 e 40 minutos, tempo gosto entre os procedimentos de anestesia e retirada de testículos dos machos ou do útero, trompa e ovário das fêmas. Após a operação os animais ficam em repouso no hospital até não haver mais risco de infecção'', informa.
De acordo com Kemper, a diminuição do número de animais abandonados nas ruas é apenas um dos benefícios da castração. ''Após a cirurgia os animais ficam menos agressivos. Isso ajuda a diminuir a briga entre eles e o risco de morderem as pessoas. Outro ponto positivo é que as fêmeas não entram mais no cio e correm menos riscos de desenvolverem tumores na mama e câncer de útero, destaca o docente.
Atualmente, o programa atende duas ONGs, a Associação Mundo Animal de Rolândia (Amar) e a Organização de Proteção Animal de Arapongas (Opaa!). ''Cuidamos de aproximadamente 60 animais, entre cães e gatos, e sobrevivemos com muitas dificuldades. Contamos com cerca de 30 voluntários que lutam para conseguir recursos até para comprar comida para alimentá-los. Não teríamos condições de pagar por todas as castrações'', ressalta a presidente da ONG Opaa!, Meire Farias.
Ela afirma que a parceria com a Unopar, firmada há seis meses, tem colaborado para encontrar novos lares para os animais abandonados. ''Quando informamos que o animal é castrado as pessoas ficam mais entusiasmadas a fazer a adoção'', enfatiza. Meire informa que a entidade promove feiras de doação de animais nos dois primeiros sábados de cada mês, durante todo o dia, na Avenida Arapongas, no Centro da cidade.

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