Castração de cães evita doenças
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quarta-feira, 05 de março de 1997
Célia Baroni 
Milton DóriaControle saudávelO professor da UEL Jefferson Soares, com cães do HV: Se Prefeitura ajudasse, castração de animais poderia ser gratuitaUma estimativa do Departamento de Clínicas Veterinárias da Universidade Estadual de Londrina (UEL) calcula que existam na Cidade cerca de 50 mil cães, 2.500 deles vivendo nas ruas. O crescimento da população canina e felina de rua põe em risco a saúde pública. Sem os devidos cuidados sanitários, estes animais geralmente ficam doentes, propiciando a transmissão de zoonoses para os seres humanos.
O alerta é do docente da UEL e doutor em reprodução animal Jefferson Soares, que defende o envolvimento da Prefeitura nos projetos de controle da população destes animais. A solução, argumenta, é a castração dos animais de rua, trabalho realizado pelo Hospital Veterinário (HV) da UEL, desde 95, através do projeto Controle da Natalidade de Cães e Gatos.
Coordenador do projeto, ele explica que o animal castrado é mais facilmente adotado, por não apresentar riscos de complicações - como filhotes e transtornos do cio - para o futuro proprietário. E, mesmo voltando para as ruas, fica menos exposto às zoonoses, muitas delas favorecidas pelos hábitos destes animais. Pioneiro no país, o projeto da UEL já é referência nacional e está servindo de exemplo para universidades de outros estados que enfrentam o mesmo problema.
Segundo o professor, uma cadela, por exemplo, chega à maturidade com um ano de vida. A partir daí ela pode dar duas crias por ano. Um animal de porte médio tem de seis a 12 filhotes a cada parto. O crescimento é geométrico, diz o professor. Nas ruas, esses animais estão expostos a zoonoses como a raiva, leishimoniose, brucelose e toxoplasmose, entre outras. Não podemos esquecer que, apesar de a raiva estar controlada no Paraná, ela existe em municípios que fazem fronteira com o Estado. E é uma doença mortal, comenta.
Hoje, o projeto se desdobrou em subprojetos de pesquisa. O principal deles trabalha com a castração precoce de filhotes. Os animais são submetidos à cirurgia nos primeiros três meses de vida. A recuperação é rápida e, até agora, não constatamos a incidência de nenhuma sequela da operação, afirma o veterinário. Quando a cadela chega prenha ao HV, a equipe espera o nascimento dos filhotes. Como a maioria destes animais não tem dono, os filhotes e a mãe são doados.
Nós tratamos os animais e o entregamos aos novos donos em perfeito estado de saúde, afirma Jefferson. Quando o dono do animal de rua é carente, a cirurgia tem um custo de apenas R$ 15,00 - valor que cobre apenas os medicamentos. Este trabalho poderia ser gratuito se a Prefeitura abraçasse o projeto, ressalta o professor. Atualmente, para conseguir a cirurgia é preciso se inscrever na secretaria do Hospital Veterinário. Só no ano passado cerca de 200 animais de rua foram castrados. Este ano (janeiro e fevereiro) a equipe operou 40 animais. Outros 100 estão na lista de espera.
Quem quiser adotar um cachorro ou gato do projeto, já castrado, pode entrar em contato com o professor Jefferson ou secretária Ilza, no HV, pelos telefones (043) 371.4279 e 371.4269.


