Castração de cães e gatos será gratuita para família de baixa renda
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 22 de setembro de 2015
Aline Machado Parodi<br>Reportagem Local
A Prefeitura de Londrina contratou uma clínica veterinária para fazer a castração de cães e gatos de famílias beneficiadas pelo programa Bolsa Família e que tenham registro na Secretaria de Assistência Social. Também serão contemplados acumuladores de animais e organizações não governamentais (ONGs) que atuam no ramo. A partir do dia 29 de setembro, as famílias poderão se cadastrar na Secretaria de Saúde.
A Clinicão irá realizar o procedimento cirúrgico de castração, vacinação, vermifugação e implantação de microchip. O valor do contrato anual é de R$ 270 mil, com validade de 12 meses, mas pode ser prorrogado por até 60 meses. A intenção é realizar cerca de mil procedimentos nos primeiros 12 meses do contrato. O prefeito Alexandre Kireeff afirma que, dependendo da demanda, outras clínicas poderão ser contratadas. "Esta iniciativa é o início de uma política mais ampla para evitar a reprodução dos animais", disse Kireeff.
O trabalho da clínica veterinária não vai se restringir a castração de pets. A veterinária e proprietária da Clinicão, Maiza Lopes de Menezes, explicou que os guardiões receberão orientação sobre os cuidados com os animais. "Vamos ensiná-los a viver bem com seus animaizinhos e assim diminuir os casos de abandono", afirmou Maísa.
Os cães e gatos receberão um microchip com número de registro e dados sobre os guardiões, o que facilitará a identificação dos responsáveis pelos animais. A prioridade no atendimento será para as famílias de baixa renda, depois acumuladores e, na sequência, para as ONGs.
Os animais de rua e abandonados não serão castrados nesta fase. De acordo com o prefeito, a decisão foi baseada em estudo que apontou que os animais que têm famílias são mais bem nutridos e com uma maior taxa de fecundação.
A iniciativa foi comemorada pelas entidades protetoras de animais. "É um primeiro passo, mas precisamos de mais projetos neste sentido. Não adianta atender o animal de forma individual, precisamos evitar as futuras ninhadas, por isso é importante trabalhar a educação, a posse responsável. As pessoas precisam se conscientizar que vão conviver com o cãozinho por pelo menos 13 anos", comentou Cristina Tanaka, vice-presidente da ONG SOS Vida Animal.
Não existem dados oficiais sobre o número de cães que vivem nas ruas de Londrina. As entidades protetoras falam em torno de 30 mil, mas a Prefeitura trabalha com indicadores da Organização Mundial da Saúde (OMS) e estima que sejam 16 mil.
A SOS Vida Animal realiza três feiras de adoção por mês em Londrina. Em média, são adotados cerca de 25 animais. Atualmente, a entidade atende cerca de 15 animais, que estão em uma chácara, mas não está mais aceitando animais abandonados. Os cães e gatos abandonados, doentes ou vítimas de maus-tratos são distribuídos entre os protetores, que os abrigam em casa.
Um exemplo é o escritório de advocacia em que Anny Sodré, secretária da SOS Vida Animal, trabalha. Foi construído, ao lado do escritório, um canil para abrigar os animais. O trabalho começou há cinco anos e no local são abrigados 12 cães. "Só ficam lá aqueles animais que ninguém quer adotar. São os adultos e doentes. Os outros encaminhamos para as feiras de adoção", disse Anny.
A protetora independente Marilza Ramos Barbosa pretende se beneficiar pelo programa de castração municipal. Ela começou a recolher animais abandonados há três anos e também ajuda outras pessoas a doarem os pets. Na casa dela estão abrigados oito cachorros adultos e uma ninhada com sete filhotes. A maior dificultada de Marilza é conseguir castrar os animais, em função do custo. Em uma clínica particular o procedimento custa mais de R$ 500.
SERVIÇO
Cadastramento para castração gratuita
Onde: Diretoria de Vigilância Sanitária (Rua Attílio Otávio Bisatto, 480)
Quando: às terças-feiras, das 8h às 12h
Documentos necessários: documento de identidade, cartão do Bolsa Família e comprovante de residência