Cassio vai a Lerner cobrar providências
O prefeito de Curitiba disse estar
indignado com atitude do secretário e
vai reforçar a segurança da Prefeitura
Agências bancárias terão
entre 30 e 60 dias para
cumprir lei que exige
porta de segurança
José Fernando da Silva
Mauro FrassonO prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi, classificou de ‘‘gravíssimo’’ o fato de não ter sido informado de que assaltantes tinham uma planta da sede da Prefeitura. Hoje ele se encontra com o governador para cobrar medidas junto à Secretaria da Segurança Pública por causa do aumento da violência na cidade
O prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi (PFL), deve se reunir hoje com o governador Jaime Lerner (PFL) para cobrar medidas junto à Secretaria da Segurança Pública devido ao crescente aumento da violência na cidade. Taniguchi disse que ficou surpreso ao ser informado que a polícia sabia que a Prefeitura poderia ser alvo de assaltos, como o ocorrido na manhã desta quarta-feira ao carro-forte que entregava dinheiro num posto bancário instalado no subsolo da Prefeitura. ‘‘Caso essa informação se confirme, vamos exigir medidas drásticas, pois pelo menos o prefeito deveria ter sido informado para reforçar a segurança do prédio.’’
A reportagem da Folha informou ontem que a polícia do Paraná já sabia que o posto do HSBC Bamerindus, na sede da Prefeitura, seria provável alvo dos assaltantes. O secretário de Estado da Segurança Pública, Rubens Abrahão Tanure informou à imprensa, no dia 10 deste mês, que havia sido encontrada uma planta da Prefeitura com uma quadrilha de assaltantes presa naquela semana. O delegado geral da Polícia Civil, Artur Braga, confirmou ontem, em entrevista a uma rádio de Curitiba, que realmente assaltantes tinham a planta em seu poder. Taniguchi classificou de ‘‘gravíssima’’ a omissão desta informação e que nada pode justificá-la. ‘‘Vamos tomar providências’’, adiantou.
Questionado se este fato poderia determinar mudanças no comando da Polícia Civil ou Militar, Taniguchi se limitou a dizer que esta é uma decisão do governador. O prefeito disse ter conversado por telefone com Lerner, que ‘‘ficou indignado por eu não ter sido informado’’.
Taniguchi disse que vai tomar medidas de segurança na Prefeitura. ‘‘Vamos controlar melhor o acesso das pessoas ao prédio, talvez apenas pedindo a identidade, pois a Prefeitura é um prédio público e tem de receber o povo’’.
A Secretaria de Urbanismo está notificando as agências bancárias que ainda não têm portas de segurança instaladas. Os bancos terão entre trinta e sessenta dias para cumprir a legislação municipal que determina a instalação do equipamento. Segundo Taniguchi, a lei é antiga e não estava sendo cumprida por alguns bancos porque a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) estava questionando a lei na Justiça. ‘‘Eles perderam e agora vão ter de colocar as portas de segurança’’, disse Taniguchi.
Troca - A assessoria de imprensa da Secretaria da Segurança desmentiu ontem que a informação sobre a existência de uma planta da Prefeitura em poder de uma quadrilha de assaltantes tenha sido dada pelo secretário Tanure. O delegado geral, Artur Braga, é que seria o responsável por esta informação. A reportagem da Folha entrou em contato com o gabinete do delegado. A secretária de Braga não soube informar onde ele estava. Até o final da tarde de ontem ele não havia retornado a ligação telefônica.
A movimentação nos bastidores da polícia era intensa ontem. A expectativa é de mudanças no comando da corporação. Alguns delegados e agentes avaliam que seria muito difícil ter uma troca de secretário. Tanure é homem de confiança do atual secretário-chefe da Casa Civil, Cândido Martins de Oliveira, ex-secretário da Segurança, ligado ao grupo do presidente da Assembléia Legislativa, Anibal Khury (PFL). Mas pode haver ‘‘remanejamentos’’ em escalões inferiores, tanto na Polícia Civil quanto na Polícia Militar.

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