Curitiba - O metrô elevado, idealizado pelo prefeito de Curitiba Cassio Taniguchi (PFL), não vai sair do papel, pelo menos nos dois últimos anos que ainda restam de administração. Cassio anunciou ontem que, no lugar do metrô, Curitiba vai ganhar três novas linhas de biarticulados com alcance metropolitano fazendo a ligação entre o terminal do Maracanã, em Colombo, na região metropolitana, e o terminal CIC-Sul. O modelo dos ônibus é pioneiro, dotado de motor híbrido, que utiliza diesel e energia elétrica e, por isso, em tese menos poluentes. Está prevista ainda a construção de uma estação central, na Praça Eufrásio Correia.
Nas entrelinhas, o prefeito admitiu sua derrota. Reafirmou que o projeto de instalação de um metrô elevado foi abortado com a desistência oficial de um financiamento internacional a fundo perdido para solucionar o estrangulamento do sistema de transporte coletivo da capital paranaense. O projeto poderá ser desengavetado numa futura administração, aposta o prefeito.
Para implantação do novo eixo, que irá utilizar o projeto do metrô como base, a BR-116 terá que passar por reformas, com a recuperação do pavimento e a criação de uma canaleta central exclusiva para ônibus. Também deverá ser construído um parque linear, com arborização e paisagismo ao longo de todo o trecho. Ainda está prevista a construção de 16 estações intermediárias, de uma estação central e de dois terminais, de ciclovias nos dois sentidos, de viadutos e de trincheiras nos principais cruzamentos e de uma passarela para pedestres.
O novo trajeto incluirá a integração de 23 bairros de Curitiba e conexões com os municípios de Colombo, Fazenda Rio Grande e Araucária, todos na região metropolitana. Uma parte do percurso, que vai do Trevo do Atuba até Maracanã e tem 1,8 quilômetros, vai ser feita com recursos já aprovados do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a Coordenadoria Estadual Metropolitana (Comec).
Outros US$ 36 milhões serão usados para a conclusão do projeto, que terá 25 quilômetros de extensão. Os recursos ainda não estão garantidos. Eles serão pleiteados junto ao Fundo para Países do Rio da Plata (Funplata). Esta semana, técnicos da Prefeitura Municipal deverão encaminhar o projeto definitivo para angariar os recursos pretendidos. O financiamento seria por 15 anos com carência de seis meses. Os juros seriam de 3% ao ano. A Prefeitura Municipal entraria com uma contrapartida de R$ 6 milhões.
Os novos biarticulados (no início 30 veículos) deverão desafogar as linhas já existentes e que trafegam com cerca de 30 mil passageiros por hora em cada sentido. Doze mil passageiros deverão usar o novo sistema de transporte. ''Estamos adequando o projeto de transporte para as reais condições que temos. Em dois anos ele estará operando com confiabilidade e segurança'', disse Taniguchi. ''Não dava para ficarmos parados. Tínhamos que evitar que o sistema ficasse completamente saturado'', justificou. (Colaborou Leandro Donatti)

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