Cassio garante construção de metrô
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 25 de maio de 1999
Daniela Neves 
Especial para a Folha
O Prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi, espera que as negociações entre o governo federal e o governo japonês possibilitem a assinatura de contrato para a construção do metrô de superfície em no máximo dois anos. Ele acaba de voltar do Japão, onde foi buscar financiamento para a construção da primeira parte do projeto. Organismos financiadores e políticos japoneses ainda não confirmaram o empréstimo, mas prometeram estudar o projeto. As obras devem iniciar em dois anos e ser concluídas até o ano 2004.
Pelo projeto, o metrô elevado será costruído no eixo da BR-116, entre a Cidade Industrial de Curitiba e o bairro do Atuba, numa extensão de 27 quilômetros. A primeira fase, que deve estar pronta em cinco anos, será implantada em um trecho de 13 quilômetros, com nove estações, entre a CIC e o centro da cidade. As linhas metropolitanas dos municípios de São José dos Pinhais, Araucária e Fazenda Rio Grande, estarão ligadas ao sistema do metrô. Na segunda fase, com cronograma ainda não definido, seriam construídas mais dez estações e concluída a interligação com as outras cidades da região metropolitana.
A proposta apresentada pela prefeitura aos bancos japoneses é de financiamento da primeira fase do projeto, que tem um custo estimado em US$ 398 milhões. A prefeitura e iniciativa privada arcariam com 40% deste montante e o governo federal com 60%. O prefeito diz que o projeto foi bem recebido pelos organismos financiadores e políticos japoneses, principalmente porque tem um forte componente ambiental. Estamos estudando sistemas não poluentes, que utilizam energia elétrica como combustível, afirma.
Necessidade no futuro - Segundo o prefeito, hoje o sistema de transporte ainda atende a demanda, transportando 2 milhões de passageiros por dia - incluído o transporte integrado com a região metropolitana -, mas em cinco anos será preciso estender o sistema de transporte. O trecho CIC-centro do metrô deve atender 83 mil pessoas por dia e no projeto todo, com a construção de 27 quilômetros de linha, o sistema terá capacidade para atender 183 mil passageiros/dia.
A indústria japonesa também será beneficiada com a construção do metrô, já que parte dos equipamentos serão importados de lá. Dois sistemas de transporte usados no Japão foram mostrados ao prefeito de Curitiba, durante sua visita. Um deles é o monotrilho, constituído por trens com quatro vagões e capacidade para transportar 415 passageiros a uma velocidade de 65 quilômetros por hora. Outro modelo é o Automátic Guide Transport (AGT), um veículo também elevado, movido a eletricidade, mas com menor capacidade de transporte.
O elevado somente será construído depois que o Contorno Leste, que vai desviar o fluxo de transporte pesado do trecho urbano da BR-116, estiver concluído. A obra está sendo executada pelo Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER). A prefeitura espera que até o começo do ano que vem o trecho urbano da rodovia já possa estar liberado pelo DNER para receber as modificações, tornando-se uma avenida urbana, que faz parte do projeto BR-Cidade que vem sendo executado pela administração municipal.


