Pensões alimentícias não pagas, mães solteiras adolescentes em dificuldades para cuidar dos filhos e, na maior parte dos casos, vítimas da violência de maridos alcoólatras ou dependentes químicos. Essas são somente algumas das situações de violência contra a mulher enfrentadas pelas promotoras todos os dias, na abordagem às vítimas ou procuradas por elas.
Desde que adentrou o grupo, no ano passado, a desempregada Nivaldina Lima dos Santos, de 45 anos, não esquece de um de seus primeiros atendimentos: ''Era uma jovem empregada que, por causa de acusações falsas e fofocas no ambiente de trabalho, foi parar na rua e ficou completamente desorientada. Encaminhei a pessoa a um advogado'', lembra-se. Já para Zilda Camargo, 55, não há nada que se assemelhe à situação da vítima de marido viciado em drogas, conta. ''A maioria delas apanha, procura ajuda e, se os órgãos que prestam serviço não agem rápido como, às vezes, não agem , voltam para casa e apanham em dobro'', comenta. A promotora Doralice Peres da Costa, 51, recorda-se de um dos casos que mais a marcou. ''Uma jovem fugiu do marido com o bebê, por apanhar muito, e passou a ser ameaçada de morte por ele e pela gangue dele. Com o tempo, até fiquei com medo pela minha família'', diz. Mas o resultado, garante, valeu a pena. ''Ela conseguiu a guarda da filha e hoje é feliz. Isso vale qualquer risco''.

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